Estudos realizados por meio da cooperação bilateral entre o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) e o Instituto Max Planck de Química da Alemanha, coordenado no Inpa pela pesquisadora Maria Teresa Piedade, resultaram na implementação de uma Instrução Normativa (IN) pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS).
A IN nº 009 estabelecida pela SDS em 12 de novembro de 2010 define novas formas de manejo em florestas de várzea (alagáveis por água branca, rica em nutrientes). A exploração de madeiras na várzea, geralmente é realizada em manejos de pequena escala ou manejos comunitários, onde é adotado um único ciclo de corte de 25 anos e um diâmetro mínimo de corte de 50 cm para várias espécies madeireiras, independente de suas taxas de incremento em diâmetro e volume, estrutura populacional e a regeneração das espécies utilizadas neste tipo de manejo.
Para o pesquisador do Instituto Max Planck, Jochen Schöngart os estudos explicitam a colaboração das pesquisas que podem auxiliar as políticas públicas em benefício da sociedade. “O estudo é um belo exemplo da transformação de pesquisas básicas para pesquisas aplicadas que foram visualizadas pelas políticas públicas para transformar os resultados obtidos em legislação, desta maneira trazendo benefícios diretos e indiretos para a sociedade brasileira”, disse.
Para Piedade, a iniciativa que une políticas públicas, aliadas à pesquisa científica é de grande relevância. “Essa importante iniciativa de modernidade em gestão pública deve ser louvada. Somente parcerias inteligentes, aglutinadas ao redor dos interesses da região, sua preservação e manutenção de seus ambientes únicos poderão assegurar a integridade e múltiplas funções de um de seus mais importantes patrimônios: suas áreas úmidas”, enfatizou.
Jochen explicou que juntamente com os pesquisadores Maria Teresa Piedade e Florian Wittmann partiram de pesquisas básicas para pesquisas aplicadas, modelando o crescimento da madeira de diferentes espécies arbóreas comerciais para definir especificamente ciclos de corte e diâmetros mínimos de corte, baseado em análises dos anéis de crescimento (dendrocronologia).
“Mostramos por meio destas análises que tais critérios de manejo variam entre 3 e 32 anos para o ciclo de corte. Já os diâmetros mínimos de corte podem variar entre 47 e 125 cm, e que existe a necessidade de diferenciar os manejos florestais considerando aspectos da estrutura populacional e regeneração da espécie”, explica.
O pesquisador ressaltou ainda que o estudo na formulação do conceito GOL (Growth-Oriented Logging) publicado na revista Forest Ecology and Management, que prevê para os manejos florestais, critérios de manejo diferenciado entre espécies da várzea. Atualmente pesquisadores estão expandindo o conceito GOL para outras tipologias alagáveis capacitando jovens pesquisadores pelos Programas de Pós-Graduação do Inpa em Ecologia, Botânica, e Clima & Ambiente no âmbito do Projeto Núcleo de Excelência (Pronex) coordenado pela pesquisadora Maria Teresa Piedade.
Este é um dos assuntos que serão discutidos no III Workshop do Programa de Pronex“Tipologias alagáveis”, com o tema “Caracterização, classificação e avaliação do potencial de uso como base para uma política de manejo sustentável das áreas úmidas do Estado do Amazonas” que acontece de 26 a 28 de abril nas instalações do Inpa. A abertura do evento acontece hoje (26), a partir das 17h no auditório da Ciência, na quarta-feira (27) será no auditório da Biblioteca do Instituto.
Sobre o Pronex
O programa consiste em apoiar com recursos financeiros, grupos de alta competência que tenham liderança e papel nucleador no setor de atuação em ciência e tecnologia do Amazonas. O Pronex “Tipologias Alagáveis” conta com o apoio financeiro da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “É importante estabelecer normas para essas atividades, para evitar o fim das espécies”, apontou Piedade. (Eduardo Gomes)