Inseticida alternativo combate praga do algodão

Através de um método simples, pesquisador da Embrapa Algodão garante que o inseticida tem eficiência semelhante ao Endosulfan no manejo do bicudo

Aline Jesus
Manejo

Praga de origem mexicana presente na cultura do algodão, o besouro coleóptero bicudo (Anthonomus grandis) entrou no Brasil em 1983 e se espalhou em diversos Estados, principalmente em Campina Grande (PB). O inseto evolui de acordo com os processos de metamorfose antes de virar adulto, nas fases de ovo, larva e pupa dentro do botão floral do algodão. A fêmea perfura a base do botão floral para se alimentar do pólen e, logo em seguida, dá um giro de 180 graus posicionando o abdômen dentro do botão para depositar uma cera dentro da cavidade que ela fez.

Pesquisador da área de Entoologia do Controle de Pragas da Embrapa Algodão, Carlos Domingues inciou um experimento em 2008 com o objetivo de disponibilizar um inseticida alternativo para o controle do bicudo em lavouras de algodão. A metodologia constituiu em ensaios de campo com caulim misturado em água e aplicado sobre a planta sempre que o bicudo atingisse 5% das plantas atacadas. Após a pulverização, o pesquisador fez o levantamento do nível populacional da praga comprovando que o inseticida do experimento mostrou resultados semelhantes ao Endosulfan.

Esse produto alternativo, o caulim, é um pó de rocha que adquire coloração branca ao ser adicionado à água. Quando a mistura virar uma calda branca, já pode ser realizada a pulverização sobre as plantas de algodão – explica Carlos Domingues, que também é chefe adjunto de pesquisa da Embrapa Algodão.

Os resultados já foram publicados em congressos brasileiros de algodão. A etapa seguinte será a publicação da pesquisa, em 2010.