A substituição dos inseticidas de base piretróide e organofosforada por produtos naturais pode ser uma excelente opção para combater a ação dos parasitas em ruminantes. Produzidas a partir de extratos naturais da flora brasileira, formulações comerciais eficientes solucionariam os problemas de resistência, causados pelo uso indiscriminado na pecuária. Além de poupar o solo e os lençóis freáticos da contaminação química, a tecnologia preserva a integridade da carne e do leite dos animais tratados. Testes conduzidos por uma rede de pesquisas, composta pela Embrapa associada a diversas universidades, apontam o desempenho promissor de espécies de eucalipto, pimenta, assacu, menta e capim cidreira.
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Veterinária e pesquisadora da Embrapa Rondônia, Luciana Gatto Brito define a iniciativa como uma grande seleção de princípios vegetais com atividade parasiticida. Em etapa de finalização da prospecção, o projeto vai iniciar a fase de testagem das frações mais adequadas. Entretanto, o processo de desenvolvimento exige tempo, e de acordo com ela, essa nova geração de fitoterápicos deve chegar ao mercado em aproximadamente dez anos.
— Temos uma série de instituições envolvidas, Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal de Rondônia (UFR) e muitas unidades da Embrapa, principalmente aquelas que trabalham com pecuária. Esperamos conseguir as patentes para entregar essas moléculas ao parque farmacêutico nacional, que vai produzir fórmulas medicamentosas, como pomadas, vermífugos e soluções spray para comercialização. Serão substâncias autorizadas para uso na pecuária de agroecológica. Os produtores passarão a ter um arsenal farmacológico que não agride a natureza— informa.
A pesquisadora revela ainda que os experimentos com animais e parasitas estão concentrados nas unidades Rondônia, Pecuária Sudeste (São Carlos-SP), Pecuária Sul (Bagé-RS), Pantanal (Corumbá-MS), Caprinos e Ovinos (Sobral- CE) e Universidade Federal do Paraná.