Insetos de Cerrado: distribuição estacional e abundância

Insetos foram coletados com armadilha luminosa armada quinzenalmente em área denominada cerradão

Rosália Silva
Meio Ambiente

Durante um ano, pesquisadores da Embrapa Cerrados e do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) coletaram insetos com armadilha luminosa armada quinzenalmente em área classificada como de Cerradão, de aproximadamente 40 hectares, em Planaltina (DF).

Segundo os agrônomos Charles Martins de Oliveira e Marina Regina Frizzas, neste bioma brasileiro é particularmente evidente a alternância entre estações seca e chuvosa, o que resulta na sazonalidade em abundância e a distribuição dos Insecta, de uma forma geral, e para algumas ordens são discutidas.

Na região de Cerrado, a estimava feita em 1992 era de que a fauna de invertebrados chegasse a pelo menos 90 mil espécies, mas o número identificado nesta pesquisa foi bem superior. Durante a captura, observou-se que de modo geral o pico populacional desses seres foi no início das estações da chuva, no mês de novembro.

Todos os mais de 129 mil espécimes de insetos coletados, pertencentes a 18 ordens, estão hoje no museu entomológico da Embrapa Cerrados. Das ordens coletadas, 54% eram Hymenoptera, 27% Diptera, 8% Coleoptera, 4% Lepidoptera, 4% Isoptera, 2% Hemiptera, que somadas representam 99,2%, consideradas superdominantes, superabundantes, superfrequentes e constantes. Somente a Isoptera, quanto à constância, foi classificada como acessória. 

Também se verificou que na fitofisionomia Cerradão, os Insecta apresentaram sazonalidade de distribuição com maior abundância na primeira metade da estação chuvosa, entre outubro e dezembro. Além de que as populações de Humenoptera, Coleoptera, Isoptera e Hemiptera apresentam distribuição agrupada e as ordens Diptera e Lepidoptera, distribuição dispersa.

Por fim, o estudo mostrou que as populações Lepidoptera e Hemiptera nesta região do Brasil apresentam relação direta com a variável climática temperatura média mensal.