Integração Lavoura-Pecuária na região dos chapadões

Tecnoagro apresenta aos produtores ajustes tecnológicos da ILP com base em projeto coordenado pela Fundação Chapadão

Nivea Schunk
Integração Lavoura Pecuária

A experiência com Integração Lavoura-Pecuária em Maracaju (MS) na região dos Chapadões é o foco do evento "Tecnoagro: tecnologia para o Cerrado", que acontece hoje, em Chapadão do Sul (MS). A adaptação do sistema às peculiaridades locais, coordenada desde 2006 pela Fundação Chapadão, contempla diversos aspectos, com intuito de disseminar a eficiência do modelo entre os produtores. Técnicas de rotação de culturas e diversificação de atividades como a pecuária aumentam a produtividade e a renda.

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Diretor executivo da instuição e responsável pelo projeto, o pesquisador Edson Borges afirma que o maior beneficiado da integração é o criador de gado, com um ganho que pode chegar a 22 arroubas por hectare ao ano. Mas a geração de matéria orgânica para cobertura do solo estabiliza a lavoura e pode ser uma fonte alternativa de receita para os agricultores. Além disso, a sustentabilidade promovida pelo processo é um fator de preservação ambiental e social.

— Para a recuperação das pastagens dos pecuaristas, é necessário adequar o número de vegetais. Enquanto na região sul utilizamos cinco plantas a mais por metro quadrado por hectare, aqui três plantas são suficientes. Já aos produtores de milho que estão fazendo plantio de braquiária para cobertura do solo, por exemplo, temos que ensinar a tirar proveito disso, explicando que o pasto é de excelente qualidade e a prática aumenta a produção de raízes — diz ele.

O processo ainda está em fase de melhorias com relação à adoção de algumas técnicas de manejo. A indisponibilidade de semeadeiras dificulta o plantio de forragem em espaçamento reduzido, praticado em outras partes do país. Resultados melhores ainda dependem da substituição de métodos como os grandes espaçamentos nas plantações de milho, que atrelam a semeadura de braquiária ao uso de aviões.

Além das demonstrações realizadas para os produtores na unidade de pesquisa da Fundação Chapadão, a equipe promove palestras explicativas e atende a solicitações de visitas às propriedades. Uma parceria com a Prefeitura Municipal de Chapadão do Sul proporcionará a montagem de bases no sentido de difundir a tecnologia nas regiões de pastagens degradadas.
 

—  De 1993 até aqui já evoluímos muito, mas a aplicação do sistema no Brasil ainda é muito menor do que deveria. Faltam investimentos dos governos no sentido da disponibilização de um programa de financiamento a longo prazo, desde a aquisição de produtos até a produção de animais. E as instituições de pesquisa deveriam fomentar mais eventos sobre o tema — resume.

"De 1993 até aqui
 evoluímos muito,
 mas a aplicação do
 sistema no Brasil
 ainda é menor do
 que deveria"


 Edson Borges,
 da Fundação Chapadão