A Embrapa Pecuária promove na próxima terça-feira (12/06) uma reunião para discutir a implantação da tecnologia Booroola nos rebanhos ovinos da região. O evento vai debater a introdução da tecnologia, desenvolvida pela Embrapa, e o incremento da produtividade em ovinos, além da propiciar a troca de experiências entre produtores que já a adotam. Também faz parte da pauta consolidar a utilização da tecnologia na metade sul do Rio Grande do Sul e avaliar de que forma pode ser feita a certificação dos animais que possuam o gene Booroola. A reunião acontece na sede da Embrapa, em Bagé (RS), e conta com o apoio da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (ARCO), da Emater/RS e da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) do Estado.
O gene Booroola propicia aos ovinos uma maior prolificidade, ou seja, a possibilidade de nascimentos múltiplos por ovelha, que consegue gerar gêmeos, trigêmeos e até quadrigêmeos a cada parto. O gene, que é natural, foi identificado em ovelhas da raça Merino na Austrália e trazido para o Brasil por pesquisadores da Embrapa Pecuária Sul na década de 1980. A partir dos estudos realizados no Centro de Pesquisa, o gene foi introduzido em ovelhas das raças Corriadale e Texel, quando se verificou o potencial de duplicar o número de cordeiros desmamados por ovelha acasalada numa mesma área pastoril, preservando as outras características desejáveis da raça do rebanho original. Por volta de 2004, uma parceria com oito produtores proporcionou o início da criação comercial de ovinos com gene Booroola, disseminando a tecnologia a outras propriedades.
Na abertura da reunião da próxima terça, os pesquisadores da Embrapa Pecuária Sul, José Carlos Ferrugem Moraes e Jorge Sant’Anna, vão falar sobre “Alternativas de uso do gene Booroola: um resumo da situação atual”. Logo depois, serão os primeiros produtores a criarem animais portadores do gene que vão expor suas experiências. Já os criadores que adquiriram carneiros destes produtores, principalmente para a produção de cordeiros, terão oportunidade de apresentar os resultados da introdução de animais com o gene em seus rebanhos. Na parte da tarde será aberto espaço para as instituições parceiras, Arco, Emater/RS e Seapa, discorrer sobre a tecnologia. Por fim, os participantes terão um momento para discussões e troca de informações.
Segundo o pesquisador José Carlos Ferrugem Moraes, a introdução do gene já mostrou que pode trazer um aumento considerável na produtividade na criação de ovinos. Porém, ele ressalta que a tecnologia envolve mais trabalho para o produtor, especialmente para evitar uma taxa alta na mortalidade de cordeiros antes do desmame. “Como a forma de criação está se modificando nos últimos anos, dando-se preferência para a comercialização da carne e a criação em áreas menores, é totalmente viável para o produtor introduzir no rebanho o gene Booroola e, com isso, pelo menos, duplicar o número de cordeiros comercializados”, ressaltou. Ainda de acordo com o pesquisador, esta reunião é um espaço excelente para consolidar a utilização desta tecnologia, momento em que será possível a troca de informações entre produtores, pesquisadores, a extensão rural e associações de criadores. “Outra discussão importante será a maneira como vamos certificar os animais portadores do gene, uma vez que isso envolve custos que muitas vezes o produtor não tem possibilidade de bancar”, finalizou Ferrugem.