Inventário em áreas de reserva legal enriquecidas com espécies nativas mostra resultados

CNA
Agricultura Sustentável

Entre 28 e 30 de janeiro de 2015 foi realizado o inventário florestal das árvores plantadas pelo subprojeto AM15 “Sistemas silviculturais de restauração de RL em florestas amazônicas para a sua valorização ecológica e econômica – Restauração, Recuperação e Restabelecimento – 3R”.

Liderada pelo pesquisador Dr. Lucas Mazzei, a equipe é formada pelos pesquisadores José do Carmo Alves Lopes, Gustavo Schwartz, Ademir Roberto Ruschel, Arystides Resende Silva e Orlando Watrin e pelo analista Márcio Hoffman, todos da Embrapa Amazônia Oriental em Belém, Pará.

A pesquisa é desenvolvida em área de reserva legal fortemente antropizada na Fazenda Cristalina, área experimental do Projeto Biomas – Amazônia, no município de São Domingos do Araguaia, região sudeste do Pará.

O sistema silvicultural, em teste, se baseia em forte intervenção orientada no plantio de espécies comerciais e de crescimento rápido em clareiras artificiais. Neste experimento, estão sendo avaliadas as espécies paricá (Schizolobium parahyba var. amazonicum, Fabaceae) e mogno (Swietenia macrophylla, Meliaceae) em duas florestas com diferentes níveis de degradação. Em 2014, foram plantados 1716 indivíduos de ambas as espécies em três níveis de adubação em 30 clareiras de 21 metros de diâmetro cada.

Agora, um ano depois do plantio, os primeiros resultados começam a surgir. Primeiramente, ocorreu a roçada das clareiras artificiais como forma de tratamento silvicultural para liberação das mudas.

Em seguida, foi realizado o replantio de mudas de mogno nas covas que receberam sementes no ano passado e que não germinaram. O inventário mostra que grande quantidade das mudas de paricá com exato um ano de idade possui mais de 4 m de altura. As mudas de mogno, em sua grande maioria, atingiram 1 m de altura em igual período.

A taxa de sobrevivência é alta, com menos de 2% de mortalidade em todo o plantio. Existem diferenças no crescimento das mudas, pelo menos visualmente, em função da estrutura da floresta original. “Nas clareiras do tratamento ’50 graus’ (floresta extremamente degradada), o crescimento em diâmetro foi priorizado pelas mudas de paricá, enquanto no tratamento ’40 graus’ (floresta degradada) a energia foi dispensada para o crescimento em altura”, afirma Lucas, fazendo alusão à sensação térmica nas clareiras observada em dias de trabalho normais.

O estudo testa a hipótese de que o restabelecimento do dossel da floresta a partir da densificação assistida, com espécies de rápido crescimento, cria as condições ambientais necessárias para o aumento da riqueza florística e da dinâmica via a regeneração natural das espécies nativas locais. Espera-se criar um sistema de recuperação simples e ao mesmo tempo economicamente atrativo, em contraponto aos demais sistemas baseados no plantio em quincôncio de espécies de diferentes grupos ecológicos, que tem se mostrado caro e pouco eficiente.

Projeto Biomas
O projeto Biomas, fruto de uma parceria entre a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), é uma iniciativa inédita no Brasil e tem como objetivo identificar formas sustentáveis para viabilizar a propriedade rural brasileira considerando a árvore em seus sistemas propostos. Os estudos estão sendo desenvolvidos nos seis biomas brasileiros. O Projeto Biomas tem o apoio do SEBRAE, Monsanto e John Deere.