Inventário quantifica emissões de gases de efeito estufa do Acre

Embrapa Acre
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Nesta terça-feira, durante a programação da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, foi distribuído o primeiro Inventário de Emissões Antrópicas e Sumidouros de Gases de Efeito Estufa do Estado do Acre: Ano-Base 2010. Trata-se de um estudo da Embrapa e do Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais e Regulação de Serviços Ambientais (IMC) do Acre que avalia a quantidade de emissões de gases de efeito estufa (GEE) do Estado e qual a origem dessas emissões.

O Acre é o primeiro estado da região amazônica a elaborar seu inventário e o terceiro do país. A distribuição da publicação ocorreu durante a palestra Serviços Ambientais: Conservação e Inclusão Social, ministrada pelo diretor-presidente do Instituto de Mudanças Climáticas, Eufran Amaral, no Parque dos Atletas.

Foram avaliadas as emissões dos principais setores da economia do Acre: energia, com foco para geração em termelétricas, transportes, mudança de uso da terra e florestas (desmatamento), agropecuária com foco para a pecuária, e disposição e tratamento de resíduos sólidos urbanos.

Principais emissões

O gás carbônico (CO2) e o metano (CH4) são os dois gases de efeito estufa emitidos pelo estado , segundo o estudo.  O Inventário aponta que cerca de 95% das emissões de gás carbônico provêm do setor de mudança de uso da terra e florestas. “Para avaliar esse dado é preciso levar em conta as especificidades do estado, que tem 87% de seu território com florestas. Além disso, o índice demonstra quanto e onde se pode reduzir as emissões”, afirma o pesquisador da Embrapa Acre, Falberni Costa, um dos editores técnicos do Inventário.

A pecuária é responsável pela emissão de aproximadamente 90% do metano emitido no Acre. A atividade se concentra nas regiões próximas à capital, Rio Branco (Alto e Baixo Acre). “Esses dados são fundamentais para o planejamento das políticas governamentais e demonstram áreas em que devemos aplicar os resultados da pesquisa agropecuária”, afirma o chefe-geral da Embrapa Acre, Judson Valentim, um dos autores do Inventário.

Segundo Valentim a Embrapa tem gerado várias tecnologias com foco na redução das emissões de carbono. “Alternativas ao uso do fogo, técnicas de recuperação de áreas degradadas, sistema integrados de produção e métodos que potencializam a produção de café, látex, banana e mandioca são algumas das contribuições da pesquisa científica que podem garantir a segurança alimentar dos agricultores, gerar emprego e renda no campo e, principalmente, evitar o desmatamento e reduzir as emissões de gases de efeito estufa”, afirma.

Sumidouros

O Inventário apresenta ainda a contabilização de sumidouros, oportunidades de armazenamento de gases de efeito estufa, na forma de carbono, por setores da economia do estado.  “O setor de mudança do uso da terra e florestas, que apresentou a maior emissão de gás carbônico, é o possui o maior potencial de atuar como sumidouro. Os principais responsáveis por esse armazenamento são o solo, pelo melhor manejo,da floresta  em  crescimento em áreas desmatadas”, explica Costa.

Para o diretor do Instituto de Mudanças Climáticas do Acre, Eufran Amaral, esses dados estabelecem um marco de conhecimento sobre as emissões do Estado. “Não se pode planejar ou gerenciar aquilo que não se conhece. Desta forma, o inventário se configura com um instrumento de conhecimento para enfrentar os desafios do uso sustentável dos recursos”, diz.

A publicação está disponível para download no site da Embrapa Acre: www.cpafac.embrapa.br.