Um dos grandes problemas do produtor brasileiro quando o assunto é o escoamento da produção está relacionado ao tipo de transporte. A maior parte desse transporte é feito através de caminhões, o que encarece a produção e dificulta a vida do homem do campo. A Logística e transporte de grãos é um dos temas do Fórum Contexto Ambiental & Agronegócio, organizado pelo Portal Dia de Campo, no dia 30 de junho, em Uberlândia, Minas Gerais. Segundo Edeon Ferreira, consultor em Gestão Estratégica, Diretor Executivo do CESB, Coordenador do Movimento Pró-Logística de Mato Grosso e integrante da Câmara de Logística e Transporte do MAPA, um produtor de Sorriso (MT), por exemplo, precisa transportar sua produção até o porto de Santos ou até o porto de Paranaguá por 2.100km.
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— Na safra, isso chega a significar até 45% do valor do produto. O que precisamos fazer é mudar os modais de transporte. Dentro dessa lógica, precisamos alterar os modais transformando os 63% do volume transportado por caminhões em transporte ferroviário e hidroviário — afirma o consultor.
De acordo com ele, o transporte brasileiro é baseado, atualmente, em caminhões. Mesmo o transporte que sai do norte do Mato Grosso e vai até o Araguaia, no sul do Estado, tem sérios problemas. Isso porque esse transporte até Santos via rede ferroviária não apresenta bom custo para o produtor. Ele diz ainda que esse problema se deve ao monopólio existente entre as ferrovias.
— Então, o que o produtor fez foi juntar-se a outros segmentos do setor produtivo. A Aprosoja deu a ideia de chamar diversas federações, como a Federação da Indústria, a Associação dos Criadores e a Organização das Cooperativas de Mato Grosso, em um total de 10 no Mato Grosso, e formar no estado o Movimento Pró-Logística — conta.
Ferreira explica que esse movimento elegeu cinco grandes obras a serem trabalhadas. Entre elas, está a conclusão da BR163, ligando Cuiabá a Santarém. Nesse caso, haveria um escoamento pelos portos de Santarém e pelo porto de Miritituba. Além disso, haveria a conclusão também da BR158, que vai do Vale do Araguaia até a divisa com o Pará.
— Algumas obras serão feitas no futuro interligando a BR158 à ferrovia Norte-Sul, que disponibilizaria o acesso ao porto de Itaqui. Além disso, existe ainda a implantação da BR242, que liga Ribeirão Cascalheira à Sorriso. Esse trecho deverá ficar pronto até 2014. O Movimento visa a implantação também da Ferrovia de Integração Centro-Oeste, que ligará Campinorte (GO) à Lucas do Rio Verde. E ainda o acesso ao Nordeste através da Transnordestina. Por último, o Movimento almeja a implantação da hidrovia Teles Pires-Tapajós — conta.
Ainda segundo o diretor executivo, todas essas soluções, com exceção à hidrovia, são soluções para os próximos cinco anos. Ele afirma que, nesses próximos anos, o panorama de frete no Mato Grosso será muito alterado. Tal situação também acontecerá nos outros Estados que não têm tanto problema de distância.
— No caso do Mato Grosso, somente com o término da BR163 e a construção do porto de Miritituba, o produtor embolsará em torno de R$3 por saco de soja. Esse é um benefício direto, já que haverá redução de custos. Somente na BR163, o investimento já ultrapassa os R$2 bilhões. No caso da BR158, o investimento gira em torno dos R$700 milhões. Já na BR242, o governo investirá algo em torno de R$850 milhões. Já na ferrovia de Integração Centro-Oeste, o investimento girará em torno de R$6 bilhões — diz.
Para mais informações sobre o Fórum Contexto Ambiental & Agronegócio, basta acessar o link www.diadecampo.com.br/forumsustentabilidade.
