O Estado de São Paulo é o maior produtor de seringueira do Brasil, responsável por 55% da produção nacional, com quase 80 mil hectares plantados e tendência para crescer. O clima do Noroeste paulista é o ideal para a planta que produz cerca de 2 mil toneladas de borracha seca por hectare, chegando a até 2.500 toneladas, produtividade superior à média nacional e a países asiáticos concorrentes como Malásia, Tailândia e Indonésia, que utilizam clones com menor qualidade genética. Além disso, pelas condições locais, São Paulo não sofre muito com pragas e doenças e está adotando o plantio irrigado que consegue antecipar a sangria da planta em até dois anos.
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Para começar a sangrar, a seringueira precisa atingir um porte de 1,5 metro e 45 cm, o que leva cerca de 7 anos. Com o crescimento do uso da irrigação, os produtores paulistas estão conseguindo reduzir este período para 5 anos, antecipando a produção em dois anos. O custo também aumenta, com o investimento da tecnologia, mas é compensado pela produção mais precoce. Segundo o doutor na área de genética e melhoramento de plantas Paulo Gonçalves, pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas, o custo médio para a implantação de um hectare de seringueira é de cerca de R$ 8 mil ao longo dos 7 anos. Com a irrigação, este custo sobre para uma média de R$ 10 mil por hectare durante os 5 anos. No entanto, apesar das conquistas dos produtores paulistas com o uso de clones geneticamente superiores e tecnologias modernas como a irrigação, o Brasil ainda importa dois terços da borracha consumida.
— É uma cultura emergente que deu certo aqui. Se adaptou a tal ponto que hoje São Paulo é olhado pelo mundo como o melhor lugar para plantio da seringueira. A maior parte da indústria de derivados de borracha está no Estado de São Paulo e contribui com 55% da produção nacional, que é de 104 mil toneladas de borracha. Temos atualmente cerca de 80 mil hectares plantados, com tendência de crescer porque quem tem borracha hoje em dia está produzindo muito bem. Mas lamentavelmente ainda importamos dois terços do que consumimos, o que é uma vergonha porque a seringueira é originária da Amazônia. Em outras regiões do país falta recursos para financiar o cultivo da seringueira que é um pouco caro — diz o pesquisador.
O Noroeste do Estado é a região mais propícia para a cultura porque é a mais quente. O município de São José do Rio Preto é o maior produtor do país, seguido pelo pólo de Barretos. O clone mais recomendado para o plantio é o RRim 600. A recomendação é para que 50% da área seja de RRim 600 e a outra metade seja plantada com outros clones com bom comportamento como PR 255, PB235 e 873, PR 261 e o GT1. Outros materiais como PB 312, PB 350, RR 937 estão sendo testados pelo IAC.
— Comparando com seringais da Tailândia, da Malásia e Indonésia, a nossa produtividade é superior porque trabalhamos com genética de clones altamente produtivos e não temos muitos problemas de doenças e pragas. Temos um problema com praga aqui que é altamente contornável que é o percevejo de renda e também alguns ácaros. Na época da semi-essência da seringueira, se não ocorrer chuva a seringueira está livre da antracnose. Esse ano foi bom porque não teve chuva e a seringueira está linda, mas ano passado teve chuva esta época e tivemos um problema de produção — explica o doutor na área de genética e melhoramento de plantas.