A deficiência ou o excesso de água na cultura da pimenteira estão ligados a uma série de problemas, tais como baixa eficiência no uso de água, de energia e de nutrientes, maior incidência de doenças fúngicas e bacterianas, baixa produtividade e menor qualidade de frutos. Pensando nisso, os pesquisadores Waldir Marouelli e Henoque Silva, da Embrapa Hortaliças, produziram um documento com as informações básicas, discutindo as três principais formas de irrigação: sistemas por aspersão, por sulco e por gotejamento.
Uma das informações destacadas nesse trabalho é o manejo da irrigação, envolvendo parâmetros relacionados à planta, ao solo e ao clima. No documento, levando-se em consideração a relação entre esses elementos, os pesquisadores apresentam, por exemplo, o chamado método do turno de rega simplificado. Um procedimento que não requer cálculos complicados e o uso de vários equipamentos.
O método possibilita estimar valores de turno de rega e lâmina de irrigação para cada estádio de desenvolvimento da cultura, em função das condições climáticas históricas da região (normais de temperatura e umidade relativa média do ar), da textura do solo e da profundidade efetiva do sistema radicular das plantas por aspersão, sulco e gotejamento.
Além disso, no documento, são discutidos outros métodos disponíveis para o controle da irrigação; todos com vantagens e desvantagens. Métodos que permitem um controle de irrigação criterioso, como os do balanço de água no solo e da tensão matricial limite, baseiam-se no conhecimento de propriedades físico-hídricas do solo, de necessidades hídricas específicas da cultura e/ou de fatores climáticos usados na determinação da evapotranspiração.
Esses métodos requerem o uso de equipamentos para o monitoramento da água no solo (tensiômetros, blocos de resistência elétrica etc.) e/ou para estimativa da evapotranspiração (tanque classe A, termômetros, higrômetros, radiômetros etc.), além de mão-de-obra qualificada. No trabalho em questão, os pesquisadores realizaram ainda considerações acerca da eficiência, custo inicial, uso de energia e mão-de-obra para diferentes sistemas de irrigação, a fim de auxiliar o produtor rural na escolha daquele que se mostre mais promissor, de acordo com as condições de cada proprietário rural.
As recomendações de manejo da irrigação presentes nesse documento são úteis principalmente para locais com precipitação escassa ou mal distribuída, como nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, onde a irrigação é fundamental para a produção comercial.