Um sistema de monitoramento que já existe há alguns anos passa a ser a aposta para os agricultores de Pelotas contra a mosca-das-frutas que afeta a cultura do pêssego, entre outras. Apesar de demandar maior custo de investimento e manutenção, a técnica promete beneficiar o produtor rural, que antes não tinha opções para controlar a praga, beneficia o consumidor, que passa a se alimentar de pêssegos sem resíduos e também o meio ambiente, já que com a técnica se aplica menor quantidade de ingrediente ativo de produtos. Segundo Dori Edson Nava, pesquisador da Embrapa Clima Temperado, esse sistema, chamado isca tóxica, utiliza armadilhas bola, cujo interior possui um atrativo alimentar a base de proteína hidrolisada.
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— É um sistema de monitoramento já utilizado para mosca-das-frutas. No entanto, não era costume do produtor realizar o monitoramento nessa região, que pode ser utilizado em diversas regiões e não somente para a cultura do pêssego — afirma o pesquisador.
De acordo com ele, o sistema consiste na instalação das armadilhas, na visita semanal de profissional indicado para fazer a avaliação do pomar, no recolhimento do líquido colocado (ou seja, a solução com 3% da proteína hidrolisada), na contagem das moscas e troca do atrativo por um recém-preparado.
— Esse atrativo é usado por sete dias. Na cultura do pêssego, por exemplo, são usadas em torno de duas a quatro armadilhas por hectare. Em áreas uniformes, utilizam-se duas. Já em terrenos irregulares, o número recomendado é de quatro armadilhas. Isso é feito toda semana, desde o período de inchamento do fruto do pêssego, até o final da colheita, quando o ataque da mosca é mais intenso — conta Nava.
Ele explica que o monitoramento mostra qual método de controle o agricultor deve utilizar. Se forem coletadas de uma a três moscas, recomenda-se que o produtor utilize a isca tóxica. Quando se coleta quatro moscas ou mais, o produtor deve fazer a aplicação do produto por cobertura, ou seja, em toda a área.
— Hoje, existem poucos produtos registrados para a cultura do pêssego, pois vários deles foram retirados da grade de agrotóxicos. Já os produtos disponíveis, têm ação sobre os adultos das moscas. Então, o agricultor passou a adotar esse sistema justamente para evitar a utilização de produtos não recomendados para a cultura do pêssego — afirma.
O pesquisador diz que, na região de Pelotas, existem aproximadamente mil produtores de pêssego. A maior parte deles possui mão-de-obra familiar, normalmente duas ou três pessoas, e trabalham com essa atividade em apenas um período do ano. Nesse caso, o risco é muito grande. Já o custo do sistema, seria maior para o produtor, segundo Nava.
— O custo para o produtor seria referente à compra da armadilha e do atrativo. Infelizmente, ele passa a ter um custo maior porque a aplicação com isca tóxica é realizada de sete em sete dias. Além disso, em caso de chuva, é preciso fazer a reaplicação da isca, o que faz com que o número de aplicações seja maior — explica.
Ainda de acordo com ele, ao utilizar o controle com inseticidas, o agricultor acaba realizando, em torno de seis a sete aplicações. Com os inseticidas disponíveis hoje e a técnica de isca tóxica, ele precisa fazer em torno de 20 aplicações, no mínimo.
— O principal benefício da técnica para o produtor rural seria o manejo da praga. Antes, ele não tinha opções para controlar a praga. Além disso, o consumidor passaria a se alimentar de pêssegos com produtos utilizados recomendados pelo Ministério e, consequentemente, os pêssegos não teriam resíduos. Já ambientalmente, a técnica de isca tóxica apresenta muito mais vantagens que a aplicação por cobertura, já que se aplica no ambiente menor quantidade de ingrediente ativo do produto — conclui o pesquisador.
Para mais informações, basta entrar em contato com a Embrapa Clima Temperado através do número (53) 3275-8100.
