Jabuticaba pode permanecer fresca por mais tempo

O objetivo da pesquisa é estabelecer parâmetros para aumentar a conservação após a colheita da fruta

Monique Dutra
Agricultura Familiar

Manter frutas, verduras e legumes frescos por mais tempo é o trabalho do professor e pesquisador José Fernando Durigan, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, campus Jaboticabal, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Uma das frutas estudadas foi a jabuticaba, nativa do Brasil, que pode ser encontrada em quase todo o País, sobretudo em Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná.  Ela é rústica, resistente e precisa de poucas aplicações de agrotóxicos para sua produção.

Segundo  Durigan, o trabalho permitiu estabelecer alguns parâmetros para aumentar a conservação após a colheita da jabuticaba. Em condições normais, ela tem a durabilidade de no máximo dois dias. Para aumentar essa vida útil foi feito um teste em que a fruta foi exposta à temperatura de 12º C com diferentes níveis de oxigênio.

"Jabuticabas foram
 conservadas por até
 oito dias, quadrupli-
 cando sua vida útil."

 José Fernando Durigan,
 da Unesp

 — Foi possível comprovar que a jabuticaba resiste a níveis de oxigênio de 1% a 5%, considerado baixo em relação aos níveis de oxigêcio do ambiente que está em torno de 21%. Uma vez embalada, a fruta consome o oxigênio do ambiente pela respiração e libera CO2. Em baixa concentração de oxigênio, ela reduz a velocidade respitarória e atrasa seu processo de amadurecimento. Nas condições de 12ºC e 5% de oxigênio, as jabuticabas foram conservadas por até oito dias, multiplicando a vida útil em quatro vezes. Isso facilita o processo de comercialização das frutas — explica o pesquisador.

A metologia da pesquisa foi feita através de um sistema que permitiu medir a temperatura ao longo do tempo e a variação da concentração de gases dentro da embalagem. Foram usadas frutas recém colhidas, imediatamente refrigeradas e embaladas em filme plástico. Também foi possível determinar a perda de peso, as variações da acidez, açúcares e os antioxidantes da fruta. O trabalho começou em 2007 e também desenvolveu um sistema de desinfecção das frutas com uso de água clorada.