Para o cultivo do feijoeiro comum em 12 Estados do Brasil, pesquisadores de instituições públicas e privadas participaram da atualização da publicação técnica na região central brasileira, referente ao período 2009-2011. O documento foi elaborado por 24 especialistas, que aborda temas relevantes sobre manejo do solo, exigências climáticas, épocas de semeadura, irrigação, cultivares, doenças, pragas, colheitas e outros. O pesquisador da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Valter Martins de Almeida foi o responsável pelas informações do Estado de Mato Grosso.
No documento publicado pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o pesquisador Valter, cita as épocas indicadas para a semeadura do feijoeiro no Estado, nos meses de outubro-novembro, fevereiro-março e maio-junho, respectivamente para os feijões de primeira, segunda e terceira época. São períodos em que a probabilidade de obter boa produtividade é maior. “O risco de insucesso devido a adversidades climáticas aumenta gradativamente à medida que as datas de semeadura se distanciam do período indicado”, adverte Martins.
Segundo Martins, o Estado de Mato Grosso possui uma área plantada de 50 mil hectares de feijão, com uma produção que atinge mais de 79 mil toneladas por ano e uma produtividade de 1.600 quilos por hectare. Hoje o Estado produz tanto o feijão comum como o feijão caupi (muito utilizado no Nordeste), com mais de 50% de área plantada. Os resultados de pesquisas já recomendaram para o Estado mais de 12 cultivares de feijoeiro comum tais como: BRS Pontal, BRS Requinte, Pérola, Rudá, Jalo Precoce, BRS Estilo, BRS Esplendor, BRS 7762 Supremo, BRS 9435 Cometa, BRS Radiante, BRS Campeiro e outras.
A publicação dirigida para os produtores e técnicos constam de recomendações sobre a aplicação de calcário que deverá ser feito dois a três meses antes da semeadura e incorporado ao solo a uma profundidade de vinte a trinta centímetros. O documento foi elaborado após a 18ª Reunião da Comissão Técnica Central Brasileira de Feijão (CTCBF), em Vitória. Contou com a participação dos pesquisadores dos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Tocantins, Acre, Rondônia e Bahia.
A região central brasileira é responsável por 49% da produção nacional de feijão, ocupando apenas 38% da área cultivada. A produtividade média é mais elevada nos Estados do Centro-Oeste, São Paulo e Minas Gerais. A cultura do feijão é produzida em mais de 80% dos municípios e representa importante fonte de renda para produtores e trabalhadores rurais.
Segundo o pesquisador, desde 2005, a Empaer está participando com informações técnicas sobre o cultivo e desenvolvimento da cultura do feijoeiro no Estado de Mato Grosso. Ele ressalta que o feijoeiro comum é cultivado tanto por grandes e pequenos produtores e apresenta como cultura importante na sucessão de cultivos ao longo do ano, podendo ser cultivado em período relativamente curto, com ciclo produtivo em torno de 75 a 90 dias.
AGRICULTURA FAMILIAR
Com a finalidade de aumentar a produtividade da cultura do feijoeiro, diminuir o custo de produção e aumentar a área plantada foram instaladas vinte Unidades Demonstrativas (UD’s) de feijoeiro comum para a agricultura familiar em Mato Grosso. Almeida comenta que disponibilizou para a semeadura 15 cultivares de feijoeiro dos grupos comerciais carioca, preto, roxo, mulatinho e manteigão. O objetivo do trabalho é a recomendação de novas cultivares e a transferência de tecnologia. As UD’s foram instaladas nos meses de fevereiro a março.
Almeida salienta que a intenção é auxiliar o produtor a fim de produzir um feijão de qualidade para subsistência e comercialização do excedente, incentivando a utilização de boas práticas agrícolas na recuperação da fertilidade dos solos já cultivados e manejo da cultura. (Rosana Persona)