O milho safrinha, é uma cultura de segunda safra que, geralmente, sucede a soja. Em consequência, comumente são encontradas nas lavouras de milho safrinha os mesmos nematoides encontrados na cultura da soja, que são, em ordem decrescente de frequência de ocorrência: Pratylenchus brachyurus, Heterodera glycines, Meloidogyne javanica, M. incognita e Rotylenchulus reniformis. Porém, somente P. brachyurus, M. javanica e M. incognita colonizam as raízes de milho e ali se reproduzem. As demais colonizam raízes de soja voluntária ou sobrevivem por meio de estruturas de resistência.
O assunto foi destaque da palestra do professor da ESALQ/USP, de Piracicaba, Mário Massayuki Inomoto, durante a palestra realizada na tarde de quinta-feira, 28 de novembro, como parte das atividades do XII Seminário nacional de Milho Safrinha, que está acontecendo na UFGD. Em sua palestra intitulada "Manejo de nematoides em sistemas consorciados", Inomoto explicou que o milho é uma planta muito tolerante a nematoides, e, por isso, os sintomas da parte aérea são muito raros, o que é altamente positivo para o produtor de milho. "Porém, a tolerância do milho a esses nematoides apresenta um lado negativo: a presença dos nematoides normalmente passa despercebida durante a cultura do milho, mas se mostra de forma exuberante durante a cultura da soja", destacou o professor. Segundo ele, galhas são formadas na ponta das raízes, principalmente das raízes adventícias, em plantas infectadas por M. incognita; seguida de escurecimento e morte de raízes. Ele disse ainda que os nematoides podem causar amarelecimento e redução do tamanho das plantas, com produção de espigas sem valor.
"Para evitar perdas no milho é preciso controlar os nematoides e os alvos principais devem ser Pratylenchus brachyurus e P. zeae. O último, porém, não é comum em milho safrinha, pois não coloniza raízes de soja. Atualmente, a melhor estratégia de controle dos dois nematoides é o tratamento de sementes com nematicidas químicos ou biológicos", explicou Inomoto.
Finalmente, o professor da ESALQ/USP, destacou que atualmente, no Brasil, o milho sofre poucas perdas atribuíveis a nematoides. "No entanto, estudos sobre milho e nematoides são relevantes devido à influência do milho sobre a densidade de nematoides que causam perdas elevadas em outras culturas. Por não permitir a colonização e reprodução de Heterodera glycines e Rotylenchulus reniformis, a densidade de ambos os nematoides será reduzida pelo milho, com benefícios para a soja em uma sucessão soja-milho. Porém, com os nematoides Pratylenchus brachyurus e Meloidogyne incognita, a situação é inversa.
O professor salientou a que a detecção da presença de nematoides nas lavouras é importante e disse que isso pode ser realizada por meio de exames laboratoriais disponíveis em todo o Brasil. "Entretanto, é possível que o agricultor não solicite os exames pela razão de não observar sintomas na cultura do milho", destacou ele.
Realização
O evento é uma promoção da Associação Brasileira de Milho e Sorgo (ABMS) e uma realização da Embrapa Agropecuária Oeste, Embrapa Milho e Sorgo e Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Conta com apoio da Associação dos Engenheiros Agrônomos da Grande Dourados (AEAGRAN), Associação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso do Sul (AEAMS), Grupo Plantio na Palha (GPP) e Sindicato Rural de Dourados.