Leite: 50% a mais de produtividade com novo sistema de pastejo rotacionado

Técnica substitui período de descanso fixo por altura ideal em que cada capim deve ser pastejado

Juliana Royo
Manejo

A pastagem rotacionada já é uma técnica bem conhecida pelos produtores brasileiros. Ela consiste em  dividir o pasto em porções, ou piquetes, e colocar os animais para pastejar cada piquete por vez. Só que a maioria dos produtores faz a rotação de pasto de acordo com um período fixo de dias, não levando em consideração que cada planta tem suas necessidades nutricionais e reage de forma diferente em cada pasto. A nova proposta de pastagem rotacionada aumenta a produtividade do animal de 30% a 50% porque trabalha com as particularidades de cada capim. O animal só deve entrar no pasto quando o capim atingir a altura ideal, que não é determinada por dias fixos.

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— Para aumentar esta produtividade, não há custos adicionais porque não depende de investimentos e sim da atenção do produtor ir lá e organizar o seu pasto para colher na hora certa. Primeiro, ele deve conhecer a planta que está utilizando. A gente tem uma infinidade de plantas e cada planta tem uma exigência de manejo diferente, então é importante saber qual é a planta, se o ambiente atende à exigência da planta em termos nutricionais, em quantidade de água, em solo, relevo, e a partir disto encontrar o manejo adequado, a altura e a lotação, para que o pasto tenha um bom rendimento e se perpetue ao longo do tempo — explica Roberta Carnevalli, pesquisadora da Embrapa Gado de Leite.

Planejamento e atenção são palavras-chave para a melhoria da pastagem rotacionada. A pesquisadora diz que o produtor deve lançar mão de estratégias de planejamento para que ele consiga maiores benefícios como aumento de lotação, conservação de forragem, fornecimento de suplemento, diminuição do período de ocupação e aumento da velocidade de rotação dos pastos. Isto porque ele deve estar atento à meta de altura de entrada (que é a altura ideal que o capim atinge para os animais serem colocados no pasto) e a meta de altura de saída. Segundo Roberta, esta meta vai depender das condições das pastagens dos outros piquetes e o produtor precisa ficar atento a isto.

— O capim-mombaça é uma planta de alta exigência nutricional, mas que também responde com uma alta produção de forragem. Os animais devem ser colocados no pasto com este capim quando ele atinge 90 centímetros de altura. Já um capim-tanzânia, que é da mesma família e também tem uma correspondência em produtividade, deve ser manejado com 70 centímetros de altura. Quando a gente pega uma braquiária como o capim-marandú, ele já é manejado em 35 ou 30 centímetros de altura. Então cada capim vai ter uma altura de manejo adequado para o seu rendimento — exemplifica Roberta.

"Planejamento e aten-
 ção são palavras-
 chave para melhoria
 da pastagem rotaci-
 onada"