Os pulgões, ou afídeos, abrangem um grupo de aproximadamente 4.000 espécies. Eles causam danos diretos e indiretos a uma diversidade de plantas, dentre elas, a pimenta-de-cheiro, gravioleira, aceroleira, couve, milho, bananeira, goiabeira e citros.
Segundo a literatura especializada, os danos diretos às plantas são provocados pela simples alimentação. Os afídeos, típicos sugadores, se nutrem da seiva das plantas hospedeiras, provocando o murchamento generalizado, encarquilhamento e paralisação do desenvolvimento das folhas.
Já os danos indiretos são de origens diferentes, em parte ocasionados pelo excesso de açúcares que excretam, chamado de “honeydew”, formando um meio rico para a ocorrência de fungos saprófitas (Capnodium sp.), dificultando a respiração e a fotossíntese das plantas, e, em parte, pela capacidade de transmitir e disseminar vírus fitopatogênicos, quer seja pelo número de vírus que são capazes de transmitir, quer seja pelo número de espécies de afídeos envolvidos.
Uma lacuna existente no conhecimento da praga é que são escassas as pesquisas sobre sua diversidade e ocorrência nas condições brasileiras, especialmente na Amazônia.
Considerando a importância dos afídeos como pragas, são necessários estudos regionalizados em todas as áreas de produção agrícola do País. Face a essa questão, a Embrapa Amapá (Macapá-PA) realizou um trabalho com o objetivo de contribuir para o conhecimento das espécies de afídeos, que ocorrem em alguns municípios do Estado do Amapá.
Foram realizadas inspeções em plantas de diversas culturas agrícolas à procura de pulgões nos municípios de Macapá, Santana e Porto Grande, de janeiro de 2003 a março de 2004. Na ocasião, foram identificadas oito espécies de pulgões, em dez culturas agrícolas, especialmente frutíferas.
Das espécies identificadas, destacam-se C. brasiliensis, R. padi e T. citricida, por serem de ocorrência generalizada e atacarem plantas de maior interesse econômico para a população local.
No que tange a Cerataphis brasiliensis, trata-se da praga conhecida por pulgão-preto-do-coqueiro. Encontra-se presente em muitas áreas tropicais. Sua sobrevivência, em plantas hospedeiras, se dá principalmente nas palmeiras. O pulgão-preto-do-coqueiro suga a seiva das folhas novas, inflorescências em formação, flores e frutos.
O Rhopalosiphum padi é o pulgão-preto-da-folhagem, comumente encontrado nas regiões tropicais. Trata-se de uma espécie cosmopolita, que tem como hospedeiro primário Prunnus sp. e, como secundários, diversas gramíneas. As populações de pulgão-preto-da-folhagem têm aumentado nos últimos anos nas folhas das plantas de milho, cevada, trigo e aveia, e, em menores proporções, sobre a espiga do trigo. A praga é capaz de transmitir o vírus-do-nanismo-amarelo-da-cevada, do vírus-do-nanismo-amarelo-da-cebola, do vírus-do-mosaico-do-milho e outros vírus do tipo não persistentes.