Conhecido no Brasil como o pai da soja Inox e prestigiado internacionalmente por suas audaciosas pesquisas com a cultura, Dario Minoru Hiromoto deixou um grande legado para a comunidade científica e para a agricultura nacional. Um ano após sua morte, o trabalho iniciado pelo melhorista ainda semeia linhas de pesquisa e baliza novos experimentos com soja e algodão. A vida e a obra do pesquisador são o tema do livro “Dario Hiromoto: o legado de um semeador”, lançado no início desse mês pela Fundação MT.
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Durante quase duas décadas à frente da Fundação MT, Dario pesquisou tecnologias de manejo de pragas e doenças, rotação de culturas, integração lavoura-pecuária e aplicação de fungicidas, entre outros temas, e desenvolveu cultivares transgênicas e convencionais de soja e algodão. De acordo com Sandro Romão Viana, gestor de recursos humanos da Fundação MT e um dos colaboradores do livro, uma das principais características do pesquisador era a visão estrategista.
— Ele era um pesquisador exímio. Sabia identificar uma soja com o olho clínico de um melhorista e, ao observar, percebia que ela poderia ser fonte de cruzamento para futuras variedades de soja que pudessem resolver problemas de patologia no futuro. Dario era um homem que via o futuro de forma antecipada. Ele percebia as tendências de mercado, percebia que a soja não era simplesmente uma commoditie, mas um produto que poderia ter um valor agregado e diferenciado onde determinadas variedades pudessem ter quantidades de ácidos, aminoácidos ou proteínas diferenciadas uma da outra para atender diferentes nichos do mercado — lembra Viana.

Dario percebia também que os conceitos agronômicos poderiam ser quebrados. Já em 1984, no segundo ano de agronomia na Esalq, recebeu uma bolsa científica do CNPq pela sua participação num programa do Departamento de Genética chamado “Ampliação da base genética e melhoramento de soja”. Mais tarde, como pesquisador da Embrapa, começou a dedicar esforços para trazer a agricultura para a região do Brasil central, onde a atividade é dificultada pela condição edafoclimática, pela luminosidade e pelo índice de chuvas. Mais tarde, na Fundação MT, onde foi diretor superintendente por 16 anos, começou a realizar pesquisas aplicadas voltadas para a sojicultura e a cotonicultura local.
— A própria cultura do algodão no Brasil central foi uma quebra de paradigmas, uma grande inovação para a agricultura. Não se pensava em produzir algodão nessa região e o Dario, com suas tecnologias, com seus pensamentos desbravadores, visionários, de vanguarda, conseguiu perceber isso — diz.
O livro, de nove capítulos e 98 páginas, foi lançado na sede da Associação dos Colaboradores da Fundação MT (Ami), durante a semana Dario Hiromoto. A obra foi distribuída gratuitamente aos cerca de 400 participantes do evento. A tiragem, de três mil exemplares, não será comercializada.