Mal da Seca está destruindo mangueiras de Alagoas

Doença causada pela ação conjunta de praga e fungo não tem controle e mata mangueiras centenárias em menos de um ano

Juliana Royo
Manejo

O Mal da Seca da Mangueira ou o Mal de Recife, como também é conhecida, é um doença que está causando enorme preocupação no sertão nordestino e tem acabado com mangueiras. Segundo o engenheiro agrônomo Erikson Amorim, da Secretaria Estadual de Agricultura de Alagoas, mangueiras centenárias e muito saudáveis estão definhando em menos de um ano. A situação é muito preocupante porque, até agora, não há remédio contra a doença. Só há formas de combate preventivas com o uso de variedades de manga resistentes, como a manga keiti e a tommy atkins.

|BARRA_AUDIO|

— O mal da seca da mangueira é causado por uma praga associada a um fungo. Essa praga é uma broca que perfura o caule da planta. Ao fazer este furo, ela inocula junto aos vasos da mangueira um fungo. Este fungo começa a se desenvolver dentro dos vasos internos da mangueira e bloqueia os fluxos de seiva. Com isso, a planta começa a secar desde a parte aérea até a raiz, seca por inteiro e morre. Por isso, este problema está sendo popularmente chamado aqui em Alagoas como Mal da Seca da Mangueira.

Em Alagoas, a doença é ainda muito nova. Os registros sobre o Mal da Seca da Mangueira têm pouco mais de um ano e sabe-se que ela também ataca outras culturas, como o cacau e o eucalipto. No caso das mangueiras, o ataque tem sido muito rápido por causa das variedades utilizadas pela maioria dos produtores de Alagoas. As mais comuns entre os agricultores familiares da região são a manga rosa, a manguita e a manga espada, justamente as mais sensíveis à atuação do fungo. Depois que o fungo se instala na mangueira, não há muito o que fazer. A única solução é plantar variedades resistentes e bons exemplos são a manga keiti e a tommy atkins. Segundo Amorim, as mudas destes tipos de manga podem ser adquiridas na Embrapa ou na Universidade Federal de Alagoas. Mesmo assim, é preciso que os agricultores fiquem atentos aos cuidados de manejo para que os estragos econômicos não continuem sendo devastadores.

— Os agricultores não têm feito o manejo correto. É importante fazer a poda para arejar a planta e para ela ficar em boa altura para que ele consiga colher os frutos e fazer a limpeza adequada. É preciso também tomar o cuidado de esterilizar as ferramentas que forem usadas para a poda. Podem usar uma solução com água sanitária. O produtor também deve usar a calda bordalesa para tampar os ferimentos e os furinhos para que não cause mais doenças, pode pintar até mesmo com tinta de madeira comum só para tapar os furos — ensina Amorim.

"Situação é muito
 preocupante por-
 que, até agora, não
 há remédio contra
 a doença"


 Erikson Amorim,
 da Seagri