Com a mudança de comportamento e estrutura familiar da população brasileira, mudam também os hábitos alimentares. Gasta-se cada vez menos tempo para preparar a comida em casa e a demanda por alimentos de preparo rápido, processados ou congelados, não para de crescer. Os pequenos produtores podem aproveitar o novo mercado diferenciado para se tornarem microempresários e se estabelecerem de forma sólida. As cooperativas de produtores podem ser um caminho interessante para atingir supermercados e bares com as novas formas dos produtos derivados.
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— É preciso mudar os padrões. A forma tradicional de produção de farinha não encontra espaço neste mercado. A forma tradicional de mandioca de mesa têm restrições. É um mercado que será ocupado em função do crescimento das alimentação fora do lar, com porções de macaxeira e mandioca de mesa que possam atender os restaurantes de comida a quilo e bares. A ideia de microempresário é a de que os produtores possam ficar bem mais próximos do mercado e investir em tecnologias diferenciadas. O microempresário tem que analisar as possibilidades de mercado, as novas demandas. É preciso compreender as características de cada região, produzir com qualidade e buscar minimizar custos para evitar a concorrência. Os produtores podem se juntar em cooperativas para se tornarem microempreendedores e ganhar escala em mercados um pouco maiores — ensina o pesquisador Carlos Estevão, da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical.
As farinhas com selos de certificação regional, a mandioca chips, os congelados e a mandioca e macaxeira processadas especialmente para petiscos em bar são algumas alternativas para agregar valo ao produto e conquistar um mercado paralelo ao tradicional ocupado pelas grandes indústrias. O pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical foi um dos palestrantes da VI Expomandioca, que aconteceu entre os dias 19 e 22 de agosto, na Bahia. Durante o evento, Estevão explicou como os produtores podem se tornar microempresários e ressaltou a importância da qualidade da produção.
— À medida em que você está buscando um mercado mais qualificado, isso vai ter implicações importantes na cadeia. Do ponto de vista da produção, tudo passa por boas práticas agrícolas. Se preocupar com espaçamento adequado, insumos mais modernos, usar fertilizantes na quantidade adequada, fazer um monitoramento. O importante é garantir a qualidade para ganhar espaço no mercado para o seu produto. O grande diferencial do microempreendedor é que mesmo que você não tenha grandes ganhos no primeiro momento você tem a garantia de acesso ao mercado. Há um tempo atrás, não se encontrava nos cardápios de bares e restaurantes nenhuma oferta de produtos à base de mandioca para tira-gosto ou petisco. Hoje, a macaxeira disputa espaço já com a bata inglesa como aipim frito em várias partes do País — analisa Estevão.
Segundo o pesquisador, as farinhas com selos de certificação regional são ótimas alternativas para valorizar o produto. Ele cita o caso da farinha tipo copioba do recôncavo baiano que pode ter a sua própria certificação e ser identificada como um produto diferenciado, de qualidade regional. O exemplo pode se multiplicar por outras regiões do País. A mandioca chips e a mandioca congelada para concorrer com a batata frita nas mesas de casas, bares e restaurantes são grandes apostas neste mercado. Os microempreendedores também podem investir no mercado regional de alta gastronomia, uma nova opção para a mandioca que está começando a crescer recentemente e que paga mais caro por produtos diferenciados e de qualidade.