Pesquisas desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC/APTA), desde a década de 1990, inicialmente na região do médio Paranapanema, no Estado de São Paulo, comprovam a viabilidade de antecipar a aplicação de nitrogênio no cultivo do milho safrinha. Expandido a diversas outras localidades do país, o trabalho evidenciou que até determinado patamar produtivo o manejo concentrado da substância na época da semeadura é mais apropriado que o parcelamento e garante condições ambientais favoráveis à cultura.
Normalmente plantado em sucessão à soja, o milho safrinha é produzido em ambientes bastante distintos, como o inverno seco do Mato Grosso e Goiás e a umidade do sudoeste de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Aildson Pereira Duarte, coordenador do Programa Milho enfatiza que mesmo nessas áreas com maior índice de precipitação, onde o espaçamento tradicional e a fertilização a lanço predominam, a manipulação do nitrogênio deve ocorrer durante a emergência das plantas.
— A demanda inicial de nitrogênio é crucial para o desenvolvimento vegetal. No entanto, se comparada às culturas de verão a dose necessária é relativamente baixa, entre 30 e 50 quilos de nitrogênio por hectare para a produção média de três a quatro toneladas de milho. Então, não há risco de salinidade, especialmente nas plantações com espaçamento reduzido em que o número de metros lineares e sulcos é bem maior do que no convencional — explica.
![]() |
A demanda inicial |
De acordo com Duarte, o ganho produtivo atingido é muito superior ao custo com adubação. O retorno da quantia investida no procedimento pode até triplicar. Os experimentos de campo instalados em rede continuam, e atualmente contemplam interações entre adubação nitrogenada e a inoculação da semente do milho com izospirillum para estimular o crescimento da planta.
— Essa novidade está em fase de validação para obter dados sobre a frequência de resposta e o delta de produtividade. O investimento em tecnologia é fundamental para os produtores de milho safrinha, que já ocupa uma área considerável no país — conclui.
