Manejo da biodiversidade de abelhas no cerrado de Balsas (MA)

A Universidade Federal do Maranhão e a Embrapa Amazônia Oriental realizaram um trabalho de identificação dos substratos de abrigo de ninhos e das fontes alimentares de abelhas sem ferrão no sul do Maranhão.

Redação
Meio Ambiente

A Universidade Federal do Maranhão e a Embrapa Amazônia Oriental realizaram um trabalho de identificação dos substratos de abrigo de ninhos e das fontes alimentares de abelhas sem ferrão no sul do Maranhão. Nessa perspectiva de estudo, sabe-se ainda que estes tipos de insetos são excelentes indicadores das condições de preservação ambiental.

A pesquisa foi conduzida de julho de 2006 a novembro de 2007 no povoado de Santa Luzia, município de Balsas (MA). Esta área sofre intensa pressão, devido à implantação de projetos agrícolas e florestais, onde convive-se paralelamente com a persistência de atividades extrativistas como a obtenção de madeira, além da degradação pelas queimadas, o que reduz o habitat das abelhas.

Pelo estudo empreendido, o inventário das abelhas nas flores e nos ninhos foi complementado com auxílio de entrevistas dirigidas a moradores locais.

Foram amostrados 110 ninhos de abelhas sem ferrão, dentre os quais, 39% estavam agregados a outros ninhos. Contudo, a maioria dos ninhos (61%) encontrava-se isolada.

No trabalho, as abelhas do gênero Scaptotrigona predominaram com 36,4% de ninhos quantificados, seguido de Frieseomellita (16,4%) e Oxytrigona (12,7%).

A sucupira, Pterodon aff. Polygalaeflorus, e o pequi, Caryocar brasiliense, destacaram-se dentre as espécies arbóreas como os substratos mais atrativos para as abelhas sem ferrão, com o maior número de ninhos fundados: 21% e 20%.

Do total de ninhos amostrados, apenas três eram de Melipona, sendo um de tiúba, (Melipona fasciculata) e dois de uruçu (Melipona flavolineata).

Esses ninhos foram amostrados em troncos de jatobá (Hymenaea sp.- Fabaceae), folha larga (Salvertia convallariodora - Vochysiacae) e capitão do campo (Terminalia sp. - Combretaceae).

O estudo da Universidade Federal do Maranhão e da Embrapa Amazônia Oriental concluiu que a expressiva abundância e a diversidade de abelhas sem ferrão na área de estudo, associada a outros inventários biológicos realizados no mesmo local, podem ser consideradas um bom indicativo de preservação daquele sítio.

Além disso, as espécies de plantas diagnosticadas como excelentes substratos para a fundação de ninhos das abelhas sem ferrão devem ser incluídas na lista de plantas de interesse do povoado de Santa Luzia para a preparação de mudas, aumentando os locais naturais de nidificação.