O feijão pode ser plantado em três épocas: durante a fase das chuvas (em dezembro), na seca (em fevereiro) e no inverno, agora. Fora da época das chuvas, a irrigação é essencial para a sobrevivência do feijoeiro, é ela que torna o plantio viável porque fornece a água necessária ao desenvolvimento da cultura. Só que muitos produtores não dão muito valor ao manejo da irrigação e se preocupam apenas em controlar as pragas e doenças e adubar o solo. Uma boa irrigação pode aumentar consideravelmente a produtividade, melhora a eficiência dos adubos e não desperdiça água. Não é preciso depender de máquinas caras e muito sofisticadas para controlar a irrigação, hoje existem aparelhos simples ao alcance de todos os produtores.
|BARRA_AUDIO|
— O produtor vai ter que controlar a irrigação. Todo mundo fala que a água é um bem finito, então, o produtor não pode gastar água à vontade. A sociedade, os órgãos de meio ambiente vai exigir dele que controle a sua irrigação porque ele não pode jogar água fora. Existe já a cobrança de água em alguns Estados, em que o produtor tem que pagar pela água que usa pra irrigar, então é preciso fazer um bom manejo desta água. O produtor acha outras atividades mais importantes como o manejo de doenças, manejo de adubos e a irrigação ficava em segundo plano. Mas isto está com os dias contados porque nós não aceitamos mais desperdiçar água e ela vai passar a ser paga — critica o pesquisador Pedro Marques da Silveira, da Embrapa Arroz e Feijão.
A irrigação pode ser feita por vários métodos, tanto sofisticados e caros quanto simples, que ajudam o produtor a ter uma noção de quando ele deve irrigar a plantação e qual a quantidade de água deve ser aplicada. O mais comum no Brasil é a irrigação por pivô central feita pelos grandes produtores que têm bom nível tecnológico. Entre os aparelhos de fácil utilização estão o tensiômetro e o irrigâmetro. O tensiômetro mede a tensão da água no solo e é um sinaleiro, quando chega a um certo valor é porque está na hora de irrigar, mas é de difícil instalação. Já o irrigâmetro é um novo aparelho no mercado e de manejo muito simples. Ele faz todos os cálculos para o produtor, que não precisa se preocupar com contas e estatísticas. O irrigâmetro é um pequeno reservatório que mede a evaporação da água e diz exatamente quando o produtor precisa irrigar o feijoeiro, o que facilita para o produtor e evita o desperdício.
— É um tanque que mede a evaporação da água. Quando chega a um certo grau de evaporação ele indica que está na hora de irrigar. São réguas com números, letras e cores que indicam a hora de irrigar. Estas réguas mudam de acordo com a fase da cultura, de acordo com o solo do produtor. Ele orienta o produtor a usar a água de uma forma mais racional porque leva em consideração o solo do produtor, as condições climáticas locais e a máquina. Ele facilitou por evitar os cálculos que inibiam o produtor — explica Silveira, que é um dos palestrantes do Curso sobre o Cultivo do Feijoeiro Comum, em Viçosa, Minas Gerais, que acontece nos dias 17 e 18 de junho.
O custo do irrigâmetro fica em torno de R$ 2 mil, o que equivale a cerca de 15 sacas de feijão, segundo o pesquisador. Ele diz que o aparelho não é um gasto e sim um investimento porque melhora a produção do produtor trazendo muitos benefícios e é pago rapidamente. Silveira diz que uma experiência no município de Cristalina mostrou que somente com a economia de energia, conquistada pelo irrigâmetro, o aparelho foi pago em duas safras.