Manejo de nematóides a partir do milheto na safrinha

Aproveitar a palhada sobre o solo proporciona o controle de fitoparasitas, garante maior produção da soja e a recuperação de pastagens degradadas

Breno Fonseca
Manejo

O manejo de nematóides em áreas de cultura extensiva e, também, em pastagens degradadas pode ser feito a partir da produção de variedades de milheto não hospedeiras dos fitoparasitas que afetam a absorção e a translocação de nutrientes em plantas como a soja. A pesquisa é desenvolvida pelo professor Jaime Maia dos Santos, da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), de Jaboticabal. O diferencial está no plantio do milheto durante a safrinha e o aproveitamento da palhada sobre o solo para a contenção de nematóides no cultivo da soja.

Jaime Maia explica que ao plantar uma cultura não hospedeira, os nematóides perdem alimento e, consequentemente, são reduzidos.

— É isso que estamos fazendo: um método de manejo natural, sem pesticidas e que dá resposta extraordinária, já que a planta, além de não ser hospedeira, descompacta o solo e recicla nutrientes e produz uma excelente palhada — destaca.

A metodologia da pesquisa consiste na substituição de cultura. Com a retirada da soja entre os meses de fevereiro e março, o milheto passa a ser produzido. Após a colheita da safrinha, ocorre o dessecamento da palhada, que é deixada no próprio solo. Com a chegada das lavouras de verão, entre setembro e outubro, foi identificado que a população de nematóides alcança um nível que não compromete a plantação da soja.

Os resultados também atingem as pastagens degradadas, invadidas pelo mato. Com a diminuição dos nematóides após o plantio do milheto, o produtor pode utilizar a braquiária misturada a sementes de estilosantes, o que, segundo o pesquisador, garantiu bons resultados para as fazendas que já se utilizaram do recurso para o manejo de nematóides.

O diferencial está
no plantio do milheto
safrinha e no aprovei-
tamento da palhada


 Foto: Cistos do nematóide,
 Fonte: Unesp Jaboticabal

Milheto adequado para a safrinha

As séries de milheto ADR300 e ADR 7010 serão lançadas pela empresa Sementes Adriana, de Rondonópolis (MT). Originárias do sul do deserto do Saara, crescem em condições de déficit hídrico, o que é vantajoso para o agricultor nos períodos de escassez de chuva. Jaime Maia ainda ressalta que o milheto, hoje, é uma cultura em alta, pois oferece 12% de proteína para a ração animal, enquanto o milho garante 8%. Com apenas uma alternativa, o produtor garante o manejo dos parasitas e o aumento da renda.