Manejo Integrado de Pragas reduz uso de agrotóxicos

Estudos indicam quando inseticidas devem ser aplicados, evitando desperdícios e usando métodos de controle mais sustentáveis

Juliana Royo
Manejo

O Manejo Integrado de Pragas foi criado há alguns anos para racionalizar o controle de insetos que causam danos às plantações. Muitos produtores usam os agrotóxicos de forma abusiva, o que pode prejudicar não só a saúde humana e a qualidade dos alimentos como ter o efeito contrário do esperado. Alguns inseticidas não são seletivos e acabam matando os inimigos naturais das pragas também, gerando a necessidade de o produtor usar cada vez mais agrotóxicos. O Manejo Integrado se baseia em estudos que determinam a partir de que índice de infestação de cada praga é necessário começar a usar os inseticidas. Com isso, os produtores não gastam agrotóxicos desnecessariamente e causam menos problemas ambientais.

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— O Manejo Integrado de Pragas foi estabelecido, principalmente, para reduzir o número de pulverizações de inseticidas. Normalmente a gente usa mais inseticida do que o necessário, justamente por medo de perder na lavoura. Através do manejo de pragas o produtor pode ter segurança e saber que não vai perder ou deixar de controlar a praga. Para cada praga existe um nível de controle já estabelecido. Por exemplo, para as vaguinhas são 15 insetos por pano de batida. Estas informações estão no site da Embrapa Arroz e Feijão (www.cnpaf.embrapa.br), onde você obtém todos os níveis já estabelecidos pela pesquisa — explica a doutora em entomologia Eliane Dias Quintela, pesquisadora da Embrapa Arroz e Feijão e uma das idealizadoras do Manejo Integrado de Pragas.

As principais pragas do feijoeiro são a mosca branca, a cigarrinha verde, as vaquinhas, os ácaros e percevejos. A mosca branca transmite o vírus do mosaico dourado para a planta, gerando uma virose séria que, dependendo do caso, causa 100% de contaminação. O principal problema com as vaquinhas é a desfolha das plantas, que impede a fotossíntese e causa problemas na produção de frutos. Já os percevejos se alimentam dos grãos do feijão.

Para reduzir a quantidade de agrotóxicos aplicado à plantação, os produtores devem fazer um monitoramento sério nas plantações com a observação do nível de infestação das pragas. Em paralelo a isto, pode ser feito o controle biológico com a aplicação de produtos que contenham bactérias, vírus e fungos que causam doenças nos insetos-praga ou com a utilização de predadores naturais das pragas, que também são insetos, mas não causam danos ao feijoeiro. Outro método mais alternativo é o uso de armadilhas específicas com adesivos luminosos, que chamam a atenção dos insetos. Nestes casos, o mais indicado é que o agricultor procure um técnico extensionista ou consulte um especialista que possa ajudar na manipulação destes produtos e na construção das armadilhas específicas.