Marcador molecular identifica gene de resistência do vira-cabeça

À disposição do setor de melhoramento, protocolo acelera incorporação do atributo e aumenta diversidade de variedades tolerantes

Nivea Schunk
Sanidade Vegetal

A exemplo do princípio científico utilizado pelas impressões digitais, a técnica de marcadores moleculares, implementada pela Embrapa Hortaliças, identifica o gene SW-5, responsável pela resistência ao tospovírus no tomateiro. Publicado pela revista “Molecular Breeding”, o protocolo detalhado da tecnologia está à disposição do setor de melhoramento genético para acelerar a incorporação do atributo e aumentar a diversidade de variedades tolerantes. O chamado vira-cabeça figura entre as mais importantes doenças da cultura em todo o mundo e é disseminado rapidamente pelo tripes, podendo dizimar 100% da lavoura.

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— Durante os experimentos, nós cruzamos uma variedade resistente com uma suscetível. Ao inocularmos o vírus à progene, resultante desse cruzamento, verificamos que a ausência de sintomas está totalmente relacionada à presença do marcador. Então, começamos a sequenciar essa região em busca das diferenças entre a planta e encontramos uma distinção 100% associada ao SW-5. É como se fosse uma gelatina em que aplicamos o DNA e conseguimos ver exatamente a presença desse gene, um processo similar aos testes de paternidade— explica Leonardo Boiteux, professor da Universidade de Brasília e pesquisador da Embrapa Hortaliças.

Orientador da tese de doutorado originária do modelo de teste, ele conta que a pesquisa começou com a constatação de que alguns materiais continuavam sadios, mesmo em contato direto com plantas infectadas. Descoberto o gene, caracterizado anteriormente por pesquisas desenvolvidas na Universidade Federal de Viçosa, a “impressão digital” comparativa dos vegetais isolou a parte que fornece essa informação precisamente.

— Viabilizar alternativas para lidar com essa enfermidade numa cultura tão difícil quanto o tomate evita mais um grande problema para os produtores. Para nós, também é uma alegria saber que essa tecnologia desenvolvida no Brasil tem aplicação mundial. Outra questão relevante é que empresas parceiras da Embrapa já estão requisitando a ferramenta para checar as variedades deles e ajudar o desenvolvimento do trabalho — diz.