MDA promove capacitação para transição a produção agroecológica

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Manejo

Mineiro nascido no município de Cássia, o agricultor familiar Rui Barbosa da Silva, de 65 anos, vive há mais de 20 anos em Goiás, trabalha no Assentamento Colônia 1, entre Monte Alto e Vendinha, a 15 quilômetros de Brazlândia – região do entorno de Brasília. Começou a trabalhar com sistema de produção agroecológica há 12 anos. “Em minha propriedade não entra um caroço de química”, garante Rui, que mora e trabalha com a família: a mulher, Maria Terezinha, 66, e o filho Reginaldo, 36 anos.

“A produção agroecológica, além de trazer bem-estar pra sua família, pra quem consome seus produtos sem química e sem agrotóxico, melhora a qualidade do meio ambiente, porque não polui”, defende Barbosa. A família dele e mais 13 famílias do assentamento iniciaram o processo de transição para a agroecologia a partir de um projeto de um dos filhos de agricultores vizinhos, que fazia faculdade de Agronomia. Na ocasião, os agricultores trocaram experiência e orientações com técnicos de assistência técnica e extensão rural e com engenheiros agrônomos da Universidade de Brasília.

“Aprendemos a fazer compostagem (técnica para decomposição de materiais orgânicos), adubamos a terra, plantamos. Começamos para a sustentabilidade das famílias. De repente, começou a sobrar produção, então começamos a vender”, conta Rui. O excedente da produção, que inicialmente era de três caixas, hoje rende mais de 30 caixas diárias. Rui e o filho vendem, em pontos diferentes, alface, cheiro verde, rúcula, agrião, tomate, berinjela, beterraba, cenoura e abobrinha. A família também produz mandioca, milho e amendoim, em uma chácara de 16 hectares, com seis hectares de área plantada.

A meta do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) é que seja ampliado o número de agricultores familiares como Rui, que trabalha em um sistema agroecológico. "Todos os agricultores e agricultoras do País que quiserem migrar para sistemas agroecológicos terão um técnico capacitado para atendê-los", diz o ministro Miguel Rossetto. Ele se refere a um processo que se consolida entre as políticas públicas e que leva Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) para os agricultores familiares em transição para o sistema agroecológico.

“A produção de base agroecológica para a agricultura familiar fortalece um sistema produtivo mais integrado com a natureza, com baixo impacto ambiental, sem uso de agrotóxico e dos fertilizantes, ao mesmo tempo em que conserva a biodiversidade local”, explica o coordenador de Formação da Secretaria da Agricultura Familiar, Cássio Trovatto. “As práticas produtivas levam a uma manutenção da qualidade do solo, o que torna maior o equilíbrio do sistema de produção”, acrescenta. E completa: “Com a utilização de insumos alternativos (orgânicos e agroecológicos), há uma tendência de diminuição do custo da produção com o passar do tempo”.

“Temos três impactos muito importantes da produção agroecológica: o social, com o agricultor trabalhando com conhecimento, nos agroecossistemas percebidos nas unidades familiares de produção; o econômico, com a diminuição do custo, e o ambiental, conservando o meio ambiente – solo, matas e florestas”.