Melancias em terra firme no Amazonas

Melancia cultivada na entressafra do ecossistema de várzea da Amazônia

Nivea Schunk
Irrigação

Tecnologia apresentada pela Embrapa Amazônia Ocidental proporciona aumento de produtividade e qualidade do cultivo de melancia para os agricultores familiares do Amazonas. Coordenado pela pesquisadora Marinice Cardoso, o projeto foi desenvolvido para compensar a indisponibilidade do fruto durante a entressafra do ecossistema de várzea local.

Realizados a partir de uma metodologia pouco invasiva, inspirada em características encontradas nas próprias plantações locais, os experimentos promovidos pela Embrapa elevaram a produção quase ao dobro. Enquanto no município de Iranduba o índice alcançado pelos agricultores é de 3.500 frutos por hectare, nos ensaios demonstrativos foram colhidas 6.600 melancias.

Com o plantio das variedades Rubi e Pérola, a técnica prima pela funcionalidade e pelo baixo custo, observando características e procedimentos usualmente adotados pelos pequenos produtores. Durante a estiagem não há água disponível para a cultura, que chega a demandar 36 litros ao dia por planta.

Para o pesquisador, Isacc Cohen, o enfoque foi o aprimoramento das práticas utilizadas. A inovação consiste no dimensionamento de um modelo distribuidor de água e adubo com formato geométrico semelhante a um pente.

— O sistema de fertirrigação utiliza tubos de polietileno de uma polegada na linha principal, que se ramifica em emissores de meia polegada. O gotejamento proporciona seis litros de água por hora. O grande benefício é a concentração na raiz da planta, que evita doenças foliares e aumenta em 40% a economia de água — explica Cohen.

Além de poupar água, a estimativa da diminuição de gastos com energia é bastante expressiva. A expectativa é que a cultura se estabeleça também no período de verão, época em que a seca costuma impor a necessidade de importar melancia da Bahia, Mato Grosso e Roraima.