Após a recomendação das variedades Branquinha e Moreninha, adaptadas à Zona da Mata e Agreste, o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) pesquisa novos lançamentos para atender às necessidades dos produtores estabelecidos no Sertão do Araripe. Com a diversidade climática, de solo e distribuição pluviométrica, a região precisa de um material que enfrente a seca. O programa de melhoramento de mandioca do IPA, iniciado na década de 1990, prima por produtividade, resistência a doenças e polpas cada vez mais brancas.
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Segundo o pesquisador Almir Dias, as variedades indicadas no ano passado rendem 30 toneladas por hectare e têm atributos de tolerância à podridão radicular, problema que atinge seriamente o desempenho da lavoura. A raiz da planta concentra o amido e a matéria seca que dão origem à farinha, alimento básico consumido largamente no mercado nordestino.
— Ambas apresentam também alto teor de amido para produção da fécula da mandioca, que é o grande produto para o futuro. Hoje, a fécula da mandioca é utilizada na fabricação de pães, bolos, bolachas, embutidos (salame, mortadela), bombons, confeitos, chocolates, indústrias têxteis e de papel — revela Dias.
O constante aprimoramento genético está sempre buscando características de maior competitividade. O tempo entre a obtenção das primeiras gerações de sementes até o cruzamento de progenitores com os atributos agronômicos pré-estabelecidos varia de um a três anos. Terminada a etapa da multiplicação de material pré-selecionado em laboratório, começa o plantio nas estações experimentais. O experimento chega aos campos avançados para ser avaliado com o acompanhamento dos produtores apenas um ano depois.
— Dentro do reino vegetal, a propagação de plantas pode se dar através do processo sexuado ou assexuado. No caso da mandioca, o agricultor não planta semente e sim pedaços de planta, que chamamos manivas. Então, são selecionados alguns produtores para receberem essas manivas em suas propriedades e aumentar a produção do material genético superior. Hoje, a Branquinha e a Moreninha já estão incorporadas em 20 bancos de sementes na região do Agreste. Mesmo assim ainda precisaremos de mais uns quatro anos — diz ele.
Outro aspecto positivo é que as cultivares também privilegiam a parte alta da planta, viabilizando um ganho de peso substancial para bovinos alimentados com essa folhagem rica em proteínas.