Melhoramento do feijoeiro em rede de pesquisa internacional

Epamig coordena projeto de intercâmbio para lançar variedade de feijão resistente à mancha angular

Nivea Schunk
Sanidade Vegetal

Instituições de pesquisa dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Goiás estão trocando experiências sobre melhoramento do feijoeiro desde novembro 2008. Dentre as possibilidades abertas pela proposta, financiada pelo governo federal, o princípio é o compartilhamento de material e bancos de germoplasma para obtenção de cultivares resistentes às principais doenças que atacam a cultura.

A rede de estudos está sob a coordenação da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). O pesquisador Trazilbo José de Paula Júnior, chefe do Centro de Pesquisa da unidade Zona da Mata da empresa destaca que além dos graves prejuízos causados pela mancha angular, antracnose e ferrugem, as enfermidades decorrentes da ação de fungos, como mofo branco estão ganhando importância nas colheitas dos últimos anos.

"Buscamos produzir
variedades tolerantes
a doenças causadas
por patógenos do solo"


 Trazilbo Júnior,
 da Epamig

— O melhoramento genético tem contribuído para diminuição da aplicação de fungicidas nas lavouras brasileiras de feijão, mas ainda são poucos os trabalhos mais específicos. Então, nós estamos buscando produzir variedades tolerantes principalmente a essas doenças causadas por patógenos do solo — explica ele.

Seguindo cronogramas individuais, as instituições teêm calendários de experimentos a serem encerrados dentro do prazo determinado, garantindo a apresentação de resultados concretos ao Ministério da Agricultura. Linhagens prontas para abastecer os programas e materiais aptos para recomendação devem estar disponíveis ao final de 2011.

— O envolvimento de organizações internacionais como o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e o Centro Internacional de agricultura Tropical (CIAT) tem contribuído para dar credibilidade aos estudos e desenvolver a rede — diz o pesquisador.

 "A padronização da
 metodologia para a
 mancha angular vai
 beneficiar lavouras
 de todo o mundo"

O apoio do USDA e do CIAT está especificamente relacionado à dificuldade em trabalhar o Pseudocercospora Griseola, responsável pela mancha angular. Segundo Júnior, o fungo apresenta alta taxa de variabilidade, produzindo raças muito diferentes. Sendo assim, o objetivo desse intercâmbio é monitorar a diversidade do patógeno e definir a ocorrência das raças nas diversas regiões do país.

— A metodologia que usamos hoje já está ultrapassada. Então, ficamos incumbidos de gerenciar essa padronização da metodologia para a mancha angular, que beneficiará lavouras de feijão ao redor do mundo — ressalta.