O uso do ultrassom para estimular modelos de predição para peso e rendimento de cortes comerciais desossados em bovinos de corte. Esse foi o objetivo do projeto “A utilização da técnica de ultrassonografia para estimativa da composição corporal de bovinos de corte”, do pesquisador Jaime Urdapilleta Tarouco, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Sem a necessidade de abate desses animais, as imagens digitalizadas possibilitam estimar o peso dos cortes desossados dos touros para a posterior comercialização.
Foram analisados indivíduos das raças hereford e braford, em idade entre 13 e 14 meses, que foram confinados e avaliados uma semana antes do abate. Em frigorífico, foi feita a desossa e a pesagem de diferentes partes da carne, no intuito de verificar se as medidas tomadas antes do abate estavam em acordo com as dos cortes desossados. Jaime Tarouco diz que tal medida é importante para a seleção prévia de reprodutores e para a estimativa do ponto ideal de abate. As partes coletadas foram o olho do lombo e a espessura de gordura de cobertura, tanto na costela quanto na picanha, que, segundo o pesquisador, são áreas de média herdabilidade.
— Se tenho uma boa estimativa dessas características tanto nos machos quanto nas fêmeas, posso prever o que vai ser o filho desses reprodutores em termos de rendimento de corte comercial – comenta.
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Foram analisados o olho do lombo e a espessura de gordura na costela e na picanha |
As medidas podem ser feitas dentro de programas de melhoramento em três fases. A primeira é na desmama, quando todos os exemplares são escaneados (machos e fêmeas, com sete a oito meses de idade), podendo estimar os seus valores genéticos pelas características de musculatura e rendimento de corte. Outra fase é quando o animal tem um ano de idade e a terceira, mais tarde, com um sistema extensivo de produção. Os quesitos compreendidos são sempre os mesmos: a espessura de gordura de cobertura, a área de olho de lombo e a gordura intramuscular, o que influencia na maciez e suculência da carne.
— Os resultados obtidos foram excelentes, principalmente nos modelos de estimativa de peso dos cortes, com explicação de 80% através de medidas em vivo e 90% através de medida na carcaça. Já quando trabalhamos com medidas de rendimento, o poder de explicação foi um pouco menor, onde as medidas em vivo explicaram 40% e as medidas de carcaça explicaram em torno de 40, 45% de rendimento dos cortes comerciais desossados — explica.
