Melhoramento genético cria clones de seringueira mais resistentes e produtivos

A série IAC 500, com dupla aptidão, tem material de melhor produção se comparada ao plantio inicial do RRIM 600

Margareth Santos
Melhoramento genético

Criado com a intenção de avaliar clones de alta produtividade, superior aos que foram plantados no Estado, e com controle rigoroso para doenças regionais, o projeto de “Melhoramento Genético da Seringueira Hevea spp. para o Estado de São Paulo” é coordenado pelo Dr. Paulo Gonçalves, do Instituto Agronômico de Campinas, e valoriza a dupla aptidão da planta para madeira e borracha.

— Considerando a sua vulnerabilidade genética, o fato de ser uma cultura perene e a possobilidade das novas doenças, que poderão surgir futuramente com a evolução, pensamos em trabalhar genótipos mais resistentes. O que nós queríamos era ampliar o banco de clones e oferecer ao produtor mais opções para o plantio, evitando situações de castástrofes — explica o coordenador.

Seringal adulto,
em plena fase da
exploração da borracha

Entre 13 e 14 clones foram obtidos de diversas cepas e apresentam potencial superior ao RRIM 600 (um tipo de genótipo da seringueira). A série IAC 500, com dupla aptidão, tem material de melhor produção se comparada ao plantio inicial do RRIM 600, um clone oriundo da Malásia e que foi introduzido no Estado em 1952.

— Esses clones, de uma maneira geral, dão aos produtores maior rentabilidade e produção. E dependendo do formato da copa, eles proporcionam um plantio consorciado de culturas anuais, como soja e feijão, com as perenes, a exemplo do café e do cacau, de acordo com as possilbilidades regionais de cada agricultor — frisa Dr. Paulo Gonçalves. Ele acrescenta ainda que o cultivo da seringueira pode ser feito durante 11 meses ao ano, sendo uma das atividades mais rentáveis da agricultura.

Sementes de seringueira
geneticamente melhoradas

O processo de melhoramento se dá por meio da escolha dos parentais (genótipos) de alta performance de produção, do cruzamento, da obtenção dos progênies e da seleção dos melhores indivíduos. A partir daí, o material é clonado, testado em pequenas escalas (nas diversas regiões do estado) e, após dois anos de avaliação, só então é disponibilizado para o produtor.