Melhoramento genético em busca de resistência do maracujazeiro-azedo à virose

A Embrapa Cerrados e a Universidade de Brasília envidam esforços na região de cerrado para o aumento da resistência do maracujazeiro-azedo às doenças, especialmente à virose do endurecimento dos frutos

Redação
Fruticultura

Uma das estratégias empregadas por programas de melhoramento é o uso, quando possível, de espécies silvestres para a ampliação da base genética, a fim de dispor de opções para conferir maior produtividade à determinada cultura. A Embrapa Cerrados e a Universidade de Brasília, por exemplo, envidam esforços na região de cerrado para o aumento da resistência do maracujazeiro-azedo às doenças, especialmente, à virose do endurecimento dos frutos.

Para tanto, foram feitos retrocruzamentos entre os genitores recorrente e resistente (Passiflora edulis f. flavicarpa e Passiflora setacea) e procedidas em condições de campo as avaliações de severidade de virose do endurecimento dos frutos nas plantas da quarta e quinta geração (RC4 e RC5).
 
Para medir a severidade de virose após o retrocruzamento e o plantio das mudas no campo, coletou-se, ao acaso, folhas em desenvolvimento de brotações novas de cada planta RC4 e RC5. Além delas, foram observadas ainda as folhas de plantas dos genitores. 
 
Atribuiu-se notas de 1 a 4 para cada folha, sendo 1 = sem sintoma de mosaico; 2 = mosaico leve e sem deformações foliares; 3 = mosaico intenso e sem deformações foliares e 4 = mosaico severo, bolhas e deformações foliares.
 
Com base nesse grau de mensuração de resistência à virose, foram selecionadas 17 plantas RC4 de uma população original de 59 plantas e 16 plantas RC5 de uma população de 40 plantas.
 
Posteriormente em laboratório, realizou-se a caracterização dessas plantas e dos genitores, utilizando marcadores moleculares da classe RAPD.
 
Como resultado, a severidade da virose do endurecimento dos frutos nas populações RC4 e RC5 avaliadas em condições de campo foi muito próxima da severidade verificada no genitor recorrente, embora algumas plantas tenham se destacado como menos suscetíveis.
 
Além disso, a utilização de marcadores RAPD possibilitou a caracterização molecular das plantas RC4 e RC5, quantificando a recuperação do genoma recorrente e evidenciando a elevada distância genética entre os genitores do cruzamento base interespecífico.