Melhores cultivares de algodão através da hibridação

Hibridação favorece aumento da produtividade, alta porcentagem de fibra e resistência a doenças

Breno Fonseca
Melhoramento genético

No intuito de desenvolver cultivares de alto potencial produtivo e resistentes a pragas e doenças, o pesquisador Francisco José Corrêa Farias, da Embrapa Algodão, coordena o “Programa de melhoramento do algodoeiro para as condições do Cerrado”. O projeto consiste em selecionar variedades e promover hibridações entre indivíduos da mesma espécie para alcançar em uma única cultivar alta porcentagem de fibra.

Segundo Francisco Farias, a pesquisa teve início em 1989 e foi fruto de uma parceria entre a Embrapa e o empresário Olacir de Moraes, do Grupo Itamarati.

— Na época, estava se iniciando um trabalho com o algodão, pois todas as cultivares disponíveis, vindas de outras regiões, não eram adaptadas e eram muito sensíveis às doenças, causando perdas irreparáveis para o produtor — comenta o pesquisador, completando que até mesmo variedades estrangeiras foram testadas, sem sucesso devido às condições edafoclimáticas específicas do Cerrado.

Entre as dificuldades exaltadas por Farias, está a presença de nematóides nas plantações de algodão no Cerrado matogrossense. A doença exigiu o lançamento de cultivares como a CNPA MT 042080, altamente tolerante, a CNPA MT 042088, de alta produtividade, e a CNPA MT 041540, material precoce, com boas características de fibróticas. Para chegar a novas linhagens, o pesquisador diz que testes são realizados com ensaios de repetição, com a intenção de verificar o avanço das gerações.

— O sistema de produção do algodão é calcado em muitos riscos e custo elevado. Para entrar na atividade, o produtor tem que estar respaldado com alta tecnologia. Isso se reveste diretamente para o produtor, pois ele planta com alto grau de segurança — alerta.

Mais de 20 outras variedades foram criadas ao longo do programa, como a CNPA ITA 90, que chegou a ser produzida em mais de 90% da área do estado do Mato Grosso. Já a Antares foi a primeira a ter resistência múltipla a doenças e a BRS Cedro, o material com a maior porcentagem de fibra do mercado brasileiro.