Mercado promissor faz crescer demanda por hortaliças de propagação vegetativa

Materiais de de propagação vegetativa são os que se multiplicam a partir de ramas, bulbos ou raízes

Anelise Macedo, Embrapa Hortaliças
Manejo

Materiais de propagação vegetativa (propagação feita por ramas, bulbos ou raízes), lançados pela Embrapa Hortaliças (Brasília-DF), vêm conquistando cada vez mais espaços no mercado. As cultivares de alho livre de vírus BRS Hozan, assim como as cultivares de mandioquinha-salsa BRS Rúbia e a BRS Catarina, são exemplos dessa aceitação, verificada durante a 23ª edição da Hortitec - Exposição Técnica de Horticultura, Cultivo Protegido e Culturas Intensivas, realizada entre os dias 22 a 24 de junho em Holambra, SP, com grande procura por esses materiais durante o período do evento.

De acordo com Ivaldo Ribeiro, diretor da Eagle Flores, Frutas & Hortaliças Ltda, empresa licenciada pela Embrapa para produzir e comercializar essas cultivares, a exposição dos materiais na Hortitec acabou, por exemplo, com o estoque de alho-semente livre de vírus da empresa. Com uma carteira de mais de cem clientes, e mesmo antes de abrir o primeiro lote para comercialização, a empresa não possuía mais nenhuma semente para venda. E a procura continua. Entre e-mails e telefonemas, a média é de 30 por dia, "todos relacionados à compra de sementes".

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Pioneira entre as instituições parceiras da Embrapa a trabalhar, no segmento das hortaliças, com a multiplicação/comercialização de material de propagação vegetativa, a Eagle tem apostado em novas oportunidades de mercado, estratégia que poderá incluir, num futuro próximo, as cultivares de batata-doce.

No mesmo compasso dos caminhos percorridos pelo alho BRS Hozan e pelas cultivares BRS Rúbia e BRS Catarina, os materiais de batata-doce seguem no momento as etapas referentes às "linhas de montagem" das ações relacionadas à multiplicação de plantas pertencentes a esse grupo de hortaliças – o processo de finalização está em curso para encaminhamento à Embrapa Produtos e Mercado, com vistas aos procedimentos relativos à promoção, comercialização e licenciamento dos materiais.

Na avaliação da agrônoma Flávia Clemente, supervisora do Setor de Prospecção e Avaliação de Tecnologias (SPAT) da Embrapa Hortaliças, que vem acompanhando a evolução da trajetória das cultivares em uma ação conjunta entre a Unidade e a Embrapa Produtos e Mercado, "a parceria trabalha com foco na condução e no direcionamento de mecanismos voltados ao posicionamento dos materiais no mercado, por meio do Grupo de Governança e de Integração de Ações, o ‘CG-PIT Hortaliças'".

A supervisora observa que as perspectivas apontam para o fortalecimento desse trabalho, tendo em vista que as qualificações dos materiais licenciados têm atraído cada vez mais a atenção da cadeia produtiva. Para exemplificar, ela cita a expansão do cultivo de alho e de mandioquinha-salsa em diversos estados, "resultante de uma crescente demanda por materiais com potencial genético e pureza fitossanitária".

Livro
"Hortaliças de propagação vegetativa: tecnologia de multiplicação", livro que trata da multiplicação e estabelecimento das lavouras de hortaliças propagadas vegetativamente (alho, batata, batata-doce, mandioquinha-salsa e morango) foi lançado durante a Agrobrasília 2016, Feira Internacional dos Cerrados, realizada em maio último. "A publicação reúne descrições detalhadas dos avanços tecnológicos relacionados à multiplicação e à produção comercial de propágulos dessas hortaliças, e tem como proposta servir como base de consulta para a cadeia produtiva", explica o pesquisador Ricardo Pereira, que assina a editoria técnica junto com o pesquisador e chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia Warley Nascimento.