O mirtilo, também conhecido como blueberry, é uma fruta muito popular nos Estados Unidos e Europa. O cultivo tem se expandido no Brasil nos últimos anos por conta do aumento do mercado de exportação e pelas favoráveis condições do solo brasileiro para a produção da fruta, que precisa de solo ácido. Com produtividade entre 15 e 20 toneladas, a cultura é ideal para o pequeno produtor e para a agricultura familiar. Outra vantagem além do solo e do amplo mercado de exportação, é que o mirtilo não sofre com muitas pragas e doenças.
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— A vantagem do Brasil é geográfica. Porque, como está localizado no hemisfério sul, o mirtilo aqui é contraproduzido na época de cultivo do hemisfério norte. A produção daqui é quando eles não têm a fruta lá, e o mercado internacional é muito grande. Em nível mundial, o mercado do mirtilo cresce ano a ano. As condições de solo também são favoráveis, porque o Brasil tem solo ácido, o que é necessário para esta cultura se dar bem e, por isso, tem potencial para abastecer essa grande demanda de fruta no hemisfério norte — comemora a engenheira agrônoma Tatiana Cantuarias Avilès, representante da Viveiros Sunny Ridge, que é uma empresa produtora de mudas de mirtilo no Brasil.
O mirtilo, apesar de popular em várias partes do mundo, não é muito conhecido aqui no Brasil. O mercado consumidor nacional da fruta é muito restrito, basicamente São Paulo e Rio de Janeiro. O cultivo só chegou ao país na década de 1980 e começou a ser plantado no Rio Grande do Sul por conta das condições climáticas. A fruta precisa de frio e solo ácido para se desenvolver. A intenção da Viveiros Sunny Ridge no Brasil é trazer novas variedades de mirtilo que não sejam exigentes com frio e, com isso, espalhar o cultivo da fruta por várias regiões do país.
— O que falta no Brasil para que a cultura seja expandida no País são variedades que se adaptem ao clima tropical. Por isso a produção está concentrada no Sul, porque as variedades atuais exigem um número de horas/frio. O intuito da empresa Viveiros Sunny Ridge é trazer novos materiais genéticos, novas variedades com condições agronômicas superiores e com exigência baixa em frio. Isto vai permitir que a cultura seja expandida para regiões com pouco frio como São Paulo, Espírito anto, Minas Gerais, Bahia e Goiás — explica.
Uma das vantagens do mirtilo é que a fruta não é sensível a pragas e doenças. O que os pesquisadores da Embrapa Clima Temperado, que fazem o monitoramento do cultivo no Rio Grande do Sul, têm constatado são alguns fungos simples de serem tratados com fungicidas e o ataque de alguns pássaros porque a fruta é pequena e muito vistosa, o que serve de alimento para as aves. Para os pequenos produtores, principalmente da Região Sul, o mirtilo é uma ótima opção.
— O mirtilo é um fruta produtiva, com média de 15 a 20 toneladas por hectare. É uma cultura que se adensa, se estabelecem muitas plantas em uma área pequena. Estamos falando em espaçamentos de três metros por um metro, o que dá três mil plantas por hectare. Por esta condição, é uma cultura se adequa melhor aos pequenos produtores e à agricultura familiar. Por ser uma pequena fruta, a demanda na colheita de mão-de-obra é importante. É um cultivo que se adaptaria muito bem ao Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), que se foca em pequenas propriedades agrícolas que tenham condição de usar mão-de-obra familiar — observa Tatiana Avilès.
A Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz), da USP vai realizar, no dia 17 de abril, o 4º Encontro da Associação Brasileira de Frutas Raras e vai discutir as novas opções de frutas nos pomares brasileiros, os desafios de mercado, as vantagens e os cuidados de produção. A engenheira agrônoma Tatiana Cantuarias Avilès será uma das palestrantes e vai falar sobre o potencial do cultivo de mirtilo no Brasil.