
Para que a bioenergia em geração distribuída possa se tornar uma realidade nacional e que a sociedade possa usufruir de seus benefícios é necessário:
1-Criar uma nova estrutura para gestão de projetos em bioenergia: As concessionárias não possuem infraestrutura no sistema atual para receber, analisar e aprovar projetos para integrar sistemas licitatórios para aquisição de energia em geração descentralizada (distribuída). Para receber energia distribuída terão que credenciar instituições de ensino, ou de pesquisa, ou de fomento empresarial e de ciência tecnologia e inovação, para montarem equipes de avaliadores de projetos e capacitarem quadros técnicos para treinar em projetos e capacitar em elaboração, manunenção e monitoramento. Os recursos para pagamento destes serviços deverão estar previstos no item “custos do projeto” a cargo do contratante (produtor).
2 -Acessar e dominar sistemas de ordenamento e gestão territorial: Descentralizadas, pequenas, ou micro centrais geradoras estarão sempre distribuídas pelo espaço rural e portanto ordenar este espaço é uma medida fundamental para poder se criar um sistema gerenciável. Da mesma forma, para se obter um zoneamento agroecológico capaz de garantir a convivência agricultura-pecuária-florestas, integrando esses setores pelo vetor energia,. Assim, ferramentas modernas de geoprocessamento, acrescidas de ferramentas de cadastro, como o Cadastro Técnico Multifinalitário, construídas em software livre de código aberto constituem-se uma exigência para garantir a universalização de acesso e uso de energias renováveis, entre as quais a bioenergia.
3 -Estimular fundos de fomento e pesquisa/inovação: Com base em projetos unitários e coletivos, que podem ser viáveis economicamente e sustentáveis ambientalmente e antes de tudo confiáveis, sob o ponto de vista de planejamento, acompanhamento da execução e monitoramento de resultados, pode-se chegar a criar as bases necessárias para a utilização de fundos de fomento, com reposição, ou retorno sobre os investimentos, assim como os projetos de agroenergia que são relativamente novos em nosso meio, podem acenar as instituições de financiamento de P,D e I, algo possível de ter retorno sobre os investimentos financeiros realizados. Há tudo por inovar neste campo.
4 -Criar uma plataforma de informações e rede de relacionamentos: Plataformas tecnológicas são ambientes que favorecem a sociedade para uma prospecção de tendências e elaboração de estratégias, pois garantem o fluxo do conhecimento necessário. Nenhum ator isolado chega a bons resultados com energias renováveis, diversos atores detém conhecimento e saberes fundamentais para os processos. Portanto, é necessário estruturar o trabalho em rede.
5 -Aprofundar o conhecimento sobre geração, manejo, filtragem, transporte e aplicações do biogás
Depois da era dos combustíveis sólidos (biomassa da madeira) e passando pela era os combustíveis líquidos (petróleo, etanol, biodiesel), estamos entrando na era dos gases, onde se enxerga no horizonte um mundo movido a Hidrogênio. Para se chegar lá temos que passar um tempo para conhecer os gases através do Metano – CH4, com objetivo de tirar a maior a maior eficiência energética possível. As civilizações orientais conhecem o biogás há muito tempo. Entre os ocidentais, o conhecimento é fragmentado e foi abandonado pois não fez parte da proposta energética dominante, baseada nas cadeias do petróleo. Ao sair de biodigestores, o biogás carrega umidade, impurezas e traços de gás sulfídrico (H2S) e amônia suficientes para comprometer, se não removidas, as peças de motores, geradores e tudo do entorno, que for feito em ferro. A viabilidade de acesso dos agricultores familiares à bioenergia, só é possível coletivamente. gerando o biogás individualmente e transportando-o das propriedades, através de gasodutos, até uma microcentral termelétrica a biogás operada de forma cooperativa.
6 -Capacitar projetistas, especialistas em operações e gestores para acompanhamento de implantação, manutenção e monitoramento de resultados de unidades geradoras. Oferecer capacitação a estes três segmentos técnicos é uma atitude de projetos que se concebem consequentes e maduros.
7 -Criar assistência técnica com foco em bioenergia na agricultura familiar: As instituições que circundam a agricultura familiar, como cooperativas, integradoras e a própria extensão rural oficial não estão preparadas em termos de especialistas e equipes em agroenergia, portando é necessário que se estabeleça a viabilidade econômica dos projetos, considerando que os condomínios, associações e cooperativas de agroenergia demandam assistência técnica especializada em agroenergia, sendo viável, como demonstram estudos neste sentido, que se contemple esses especialistas já na estruturação da organização dos produtores, objeto dos estudos de viabilidade.
8 -Completar o marco legal e a regulamentar. As leis e regras atuais para agroenergia não são suficientes para institucionalizá-la. É necessário desenvolver e publicar padrões para as principais operações e componentes do processo, como para Geração Distribuída, gasodutos rurais, biomassa residual e biodigestão anaeróbia, além de metodologias específicas para MDL.
9 -Definir uso de biofertilizantes para aumento real de produtividade agropecuária na propriedade familiar e para o sequestro de Carbono nos solos e a vegetação. Em análises de viabilidade da agroenergia à base de biogás, fica evidente a necessidade de se tratar sob uma perspectiva econômica as receitas com o biofertilizante e com os créditos de carbono do MDL
10 -Estabelecer uma estratégia de plantio de culturas agrícolas, sem prejudicar a geração de alimentos, porém com excedentes para enriquecer a biomassa residual e aumentar a produção de biogás: A possibilidade de elevar o teor de SVB -Sólidos Voláteis Biodegradáveis em uma digestão anaeróbica é desejável, na perspectiva de se produzir mais biogás, no mesmo tempo de digestão. Na Europa esta já é uma prática consagrada, bem apoiada pela pesquisa. A rede EU-Agro-Biogas: European biogas initiative to improve the yield of agricultural biogas plants, que tem como coordenador o Professor Dr. Thomas Amon, da Universidade da Terra de Viena/BOKU, na Áustria,
desenvolveu a teoria das culturas energéticas. Esta universidade tem hoje a infraestrutura laboratorial para pesq