Monitoramento do percevejo castanho da raiz

De hábito subterrâneo, inseto suga as raízes causando grande atrofiamento no desenvolvimento das plantas. Ataque ocorre em reboleiras ou focos distribuídos irregularmente na área infestada

Kassiana Bonissoni, Fundação MT
Manejo

O monitoramento é peça fundamental para controlar o percevejo castanho da raiz na cultura da soja. É a recomendação da pesquisadora e entomologista da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, Fundação MT, Lucia Vivan. Nas últimas safras, a praga tem infestado com mais intensidade as regiões de Campo Novo do Parecis, Sapezal, Campo Verde, Primavera do Leste e Rondonópolis no Mato Grosso. Ela orienta quanto as principais medidas de prevenção e controle da praga. “É importante ter o histórico da área ao longo dos anos das infestações e realizar o monitoramento por meio de covas de 30x30x50 cm de profundidade para observar a presença da população no começo das chuvas e, também as revoadas dos insetos adultos”.

Ainda são poucas as informações sobre o comportamento desse percevejo, pois como explica a entomologista em alguns anos ocorrem altas infestações e muitos danos às plantas. “Contudo, em outros anos não há problemas. Sabe-se que a umidade do solo interfere diretamente na população. Assim, em safras com chuvas mais precoces a tendência é de ter infestações maiores no início do plantio da soja, mas em anos com chuvas mais tardias o problema fica mais grave para algodão e milho”.

As lavouras que sofrem com o ataque do percevejo castanho tem perdas de até 50% de produtividade. Os danos são maiores na cultura do algodão, “devido ao período de plantio, quando os insetos estão na superfície e se alimentado de raízes”. “Esse percevejo é um inseto de hábito subterrâneo, que suga as raízes causando grande atrofiamento no desenvolvimento das plantas. O ataque ocorre em reboleiras ou focos distribuídos irregularmente na área infestada, podendo o diâmetro médio de cada foco variar de poucos metros até vários hectares”.

Por isso é importante que o produtor adote medidas preventivas contra o problema. O pousio na área com infestação é uma das formas de desfavorecer a população, já que as plantas de entressafra como brachiaria e milheto mantêm a praga no local. Vivan lembra que, no entanto essa medida deve ser no período em que o inseto está na superfície, ou seja, o mais chuvoso. “O pousio na entressafra muitas vezes não atinge o objetivo, pois nesse momento a tendência é o inseto se aprofundar no solo em busca de umidade e não se alimentar. Daí a importância de se observar as lavouras”.

Após o percevejo castanho da raiz ser detectado na plantação, recomenda-se que sejam feitas pulverizações no sulco de plantio. “Esta é uma ferramenta para controle da população. Mas, é importante que a praga esteja até 15 cm de profundidade no solo para que se tenha contato com a raiz e o produto aplicado. Ter a planta bem nutrida é outra forma de tolerar o ataque, sem perdas consideráveis de produtividade”, destaca a pesquisadora da Fundação MT.