A mosca-dos-estábulos, inseto que se alimenta de sangue e se diferencia das demais por ter um aparelho bucal (picador) muito rígido, voltado para a frente, transmite doenças e causa lesões, provocando estresse e alteração no comportamento dos animais. Segundo o biólogo Wilson Koller, da Embrapa Gado de Corte, é fácil identificá-la, pois seu tamanho é um terço maior que a mosca dos chifres, ataca a parte baixa de bovinos e equinos e se assemelha aos insetos domésticos.
— As moscas são resistentes à maioria dos controles químicos, variando de uma propriedade para outra, em virtude do histórico dos produtos empregados. No entanto, ainda é possível determinar, por meio de testes de avaliação, aqueles que podem produzir efeitos. Outra dificuldade é que as moscas atacam os membros inferiores, local de difícil aplicação, e os controles aplicados no dorso não são muito eficazes. Vale ressaltar que o controle químico sozinho não resolve o problema, por isso é importante localizar e modificar o ambiente de criação, espalhando ou revolvendo a matéria orgânica e drenando a água empoçada — alerta.
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Larvas de moscas |
Já foram identificados focos de infestação em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná e Goiás. Os danos mais preocupantes estão relacionados à alteração no comportamento dos animais, que se aglomeram, deixam de pastar e não aproveitam bem o alimento, afetando inclusive a reprodução. O desequilíbrio climático, de acordo com Koller, é um dos principais motivos para o surgimento dos surtos. O foco original está nas propriedades agropecuárias, pois as moscas surgem e se multiplicam onde há hospedeiros.
— Visitamos os locais afetados pelo problema e realizamos reuniões, buscando informações para definir o que deve ser pesquisado. Agora, é sensibilizar o governo no sentido de liberar recursos para as pesquisas no setor. Enquanto isso, usamos as ferramentas que têm dado certo para minimizar o problema. Controlar esse problema é uma tarefa conjunta dos produtores da área afetada. Deve haver um comprometimento de todos para controlar os focos iniciais, criar uma faixa de isolamento no entorno dos canaviais e manter a população das moscas em equilíbrio natural — pontua.
