O ataque da mosca branca é verificado há cerca de dois anos em plantações de coqueiros. A ocorrência da praga é fruto das mudanças climáticas causadas por desequilíbrio ambiental ou pelo uso desordenado de produtos químicos nas lavouras. Devido à preocupação com os danos causados, a Embrapa Tabuleiros Costeiros vem desenvolvendo uma pesquisa sobre os efeitos da mosca e, ainda, de pulgões em espécies híbridas e no anão-verde nos Estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Ceará, Rio de Janeiro e Pará.
Como o pulgão já se trata de uma praga usual na cultura, o que chama a atenção é que a mosca branca era recorrente em plantações de tomates, melões e citrus. Ambas as pragas são sugadoras, ou seja, extraem a seiva da planta e liberam excrescências açucaradas que facilitam o desenvolvimento da fumagina, doença que cobre as folhas e interfere diretamente na fotossíntese dos vegetais. De acordo com a pesquisadora Joana Maria Santos Ferreira, da Embrapa Tabuleiros Costeiros, os estudos ainda estão em fase inicial, mas já é possível orientar os agricultores.
— São utilizados óleos vegetais emulsionados ou adicionando-se o detergente neutro que funciona como emulsificante. Em plantas jovens, é mais fácil de fazer a pulverização, pois precisamos que o jato da mistura atinja a face inferior do folíolo onde as moscas estão abrigadas, provocando a morte por asfixia. No caso dos coqueiros adultos, temos uma dificuldade maior pela falta de equipamentos adequados para a realização das desinfecções. Hoje não estamos recomendando um produto específico pela falta de pesquisas direcionadas exclusivamente à cultura do coco — comenta Joana Ferreira.
A mistura é composta por óleo de algodão a 2% e detergente neutro a 1%, na proporção de 2 litros de óleo mais 1 litro de detergente para cada 100 litros de água misturando antes de tudo o primeiro ingrediente ao segundo. A três ou quatro aplicações devem ser feitas a cada 15 dias, durante as horas mais amenas do dia, no início da manhã ou final da tarde.
Os produtores que precisarem fazer o controle da mosca branca em coqueiros adultos podem lançar mão de produtos neonicotinóides, já testados em outras culturas, e pulverizar a lavoura com um espalhante adesivo siliconado, com ação de penetração. Tal medida permite ao agricultor atingir a camada de fumagina e, também a branca serosa que a mosca faz para se proteger. Joana destaca que este tipo de tratamento, da mesma forma, pode ser aplicado no combate a pulgões, já que ambas são espécies sugadoras.
— É importante que o produtor monitore a plantação para que os focos de qualquer uma dessas pragas sejam detectados logo no início, facilitando o controle. Não existe nenhuma ação preventiva. Caso a infestação esteja ligada a um problema de desequilíbrio causado por medidas tomadas pelo próprio agricultor, é possível resolver com os produtos. Porém, se for uma causa ambiental, como em algumas áreas em que observamos o ataque da mosca branca após períodos de chuvas, não tem como prevenir — ressalta Joana, alertando que é preciso observar a presença de formigas, que são atraídas pelas excrescências açucaradas liberadas pelos insetos.
Um pouco sobre o coqueiro
A produção do anão-verde no Brasil é de uma área em torno de 70 mil hectares. A produção média dos coqueiros é de 150 frutos por ano, dependendo do solo e clima de cada região, já que, em algumas áreas, a espécie não é bem adaptada.
Para maiores informações, basta entrar em contato com a Embrapa Tabuleiros Costeiros pelo telefone (79) 4009-1344.
