MS: menos produtividade, porém, mais qualidade

Safra 2010 foi menor por causa da baixa umidade no Centro-Oeste, por outro lado, lavouras também foram menos atacadas por doenças

Juliana Royo
Sanidade Vegetal

A cultura do trigo em 2010, em Mato Grosso do Sul, teve o a sua produtividade reduzida em função das poucas chuvas que ocorreram na região. Nos anos anteriores, a produção ficou entre 50 e 60 sacas por hectare e caiu este ano para 40 a 45 sacos por hectare. No entanto, apesar da produtividade menor, a qualidade do trigo colhido aumentou por causa da baixa ocorrência de doenças, justamente em função da baixa umidade este ano.

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— A gente sempre fica com a perspectiva de que a política com o trigo melhore. O trigo tem um potencial produtivo para a região, em termos de tecnologia de variedades produtivas com boa tolerância a doenças, com qualidade tipo pão ou melhorador. Em termos tecnológicos temos uma condição muito favorável para o desenvolvimento da cultura do trigo, mas quando olhamos para o lado comercial esperamos que o quadro melhore. As cooperativas de trigo no Paraná têm uma política de apoio mais forte ao produtor, que não existe muito aqui e o produtor acaba ficando muito desprotegido no Mato Grosso do Sul. Com isso, ele acaba plantando milho safrinha, que é mais seguro — alerta o pesquisador na área de fitotecnia da Fundação MS Carlos Pitol.

Pitol é um dos palestrantes do evento que vai apresentar os resultados de pesquisa da safrinha 2010 e dar sugestões tecnológicas para a safrinha 2011 nos municípios de Naviraí, Maracaju, Rio Brilhante, Dourados e Sidrolândia, entre os dias 21 e 30 de setembro. O pesquisador diz que as variedades mais recomendadas para o Mato Grosso do Sul são a BRS 208, BRS 220, BRS 229, IPR 85, Fundasep Cristalino, BRS Guamirim e BRS 18 Perema, que é o material mais antigo do Estado com um comportamento bom e uma característica muito importante que é a alta tolerância à brusone, que é uma das piores doenças do trigo. Pitol chama a atenção para a necessidade de atualização dos produtores e o incentivo d e políticas públicas.

— Nos últimos anos o município que tem plantado mais trigo é Pontaporã por causa da condição climática e porque a produção de milho safrinha é menor.  Neste ano Dourados empatou com Pontaporã na fixa plantada de trigo com 6 mil hectares plantados de trigo. O que acontece na prática é que o produtor na hora do plantio da soja já define quais áreas vão para milho safrinha e que áreas sobram para outras culturas. Hoje em dia, o produtor planta variedades precoces de soja, visando milho safrinha, e acaba sobrando as áreas mais marginais e limitantes para a cultura do trigo porque os produtores privilegiam o milho. Variedade e disponibilidade de sementes não é o problema. A tecnologia já existe, o produtor é que precisa se atualizar — ressalta.