Níquel: o novo aliado da soja contra a ferrugem

Pesquisas indicam que o nutriente apresenta resistência à principal doença da cultura, mas não substitui o uso do fungicida

Juliana Royo
Nutrição Vegetal

Durante o X Encontro Técnico da Fundação MT, no município de Poconé, surgiu à tona uma novidade nas pesquisas com soja no Brasil: o níquel apresenta resistência parcial à ferrugem e pode reduzir o número de aplicações de fungicidas. Ainda é preciso fazer mais pesquisas para afirmar o poder de resistência do níquel. O que fica claro é que ele não vai substituir os fungicidas e sim agir como um aliado, aumentando a resistência da planta e permitindo a diminuição das aplicações de químicos.

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— Durante o evento nós discutimos bastante sobre um elemento que está se tornando bastante importante no manejo de micronutrientes da soja que é o níquel. Pesquisas mostram o níquel  fornecendo uma maior resistência para a planta de soja com relação à ferrugem. Deixamos bem claro que o níquel não vai substituir o fungicida, mas ele pode melhorar a resistência da planta contra ferrugem, isso depende muito do grau de infestação, mas o níquel pode reduzir a quantidade de aplicação de fungicidas. A gente tem que tomar muito cuidado em afirmar que o níquel tem essas respostas garantidas. Necessitamos de mais pesquisas para avaliar a dose e a época correta de aplicação — explica Valter Casarin, pesquisador do IPNI (Instituto Internacional de Nutrição de Plantas).

O níquel também tem grande importância na fixação de nitrogênio, que é essencial para a soja e ajuda a melhorar a produtividade. Além do níquel, o cobalto, molebidênio, zinco, manganês, cobre e boro são os principais micronutrientes para a cultura da soja. Segundo o pesquisador, a maioria das áreas agricultáveis do Cerrado brasileiro já apresentam níveis de médio a alto dos nutrientes cobre, zinco e manganês e que, portanto, a grande maioria dos produtores não precisa fazer estas aplicações. Com isso, os produtores têm uma redução de custos significativa sem a utilização destes nutrientes, mas é preciso fazer uma análise química do solo anualmente para verificar as taxas destes nutrientes. Se a análise confirmar que o solo já tem manganês, cobre e zinco em quantidades suficientes o produtor pode economizar nas aplicações. Para as fases de maior demanda destes nutrientes, a aplicação foliar é uma ferramenta eficiente para a nutrição da soja em micronutrientes.

Já o boro, fundamental para a soja, sempre vai estar faltando no solo, segundo Casarin. Ele diz que isso acontece porque o nutriente é facilmente lavado do solo com as águas das chuvas, sendo necessária a aplicação anual do elemento. Um caminho interessante para oferecer mais boro ao solo, sem gastar tanto com aplicações, é concentrar bastante matéria orgânica, através do plantio direto, por exemplo. Casarin explica a matéria orgânica é uma fonte de boro no solo, então quanto mais matéria orgânica sobre a terra menos boro o produtor vai precisar aplicar. Os outros dois elementos cobalto e molebideno também precisam ser utilizados todo ano, mas não são aplicados no solo. Já está se tornando comum entre os produtores de soja aplicar cobalto e molebidênio no tratamento de sementes. Dessa forma, não é mais necessário fazer a adubação nitrogenada.

— Quando nós falamos de cobalto e molebidênio nós estamos chamando atenção para uma importante nutrição da soja que é o nitrogênio, então não é necessário fazer a adubação nitrogenada na soja. Ela consegue suprir essa ausência através da fixação biológica do nitrogênio, ou seja o nitrogênio do ar é transformado no nitrogênio que a planta consegue assimilar. Para que isso aconteça o agricultor faz a inoculação com bactérias e para que ela seja eficiente precisa ter o cobalto e o molebidênio — ensina Casarin.