A inoculação das sementes de soja com bactérias do gênero Bradyrhizobium pode melhorar a eficácia do processo de fixação biológica do nitrogênio, incrementar o número de nódulos e aumentar a quantidade de nitrogênio fixado nas plantas.
A demanda por nitrogênio cresceu nos últimos anos devido ao aumento da produtividade de soja. Mesmo sem a utilização de nitrogênio mineral, produtividades superiores a quatro toneladas por hectare têm sido observadas pela Fundação MS em lavouras do Mato Grosso do Sul. Para cada tonelada produzida, são necessários cerca de 80 quilos de nitrogênio. A fixação biológica do nitrogênio permite que a soja obtenha esse nutriente.
A inoculação das sementes de soja com bactérias Bradyrhizobium introduz estirpes de bactéria eficientes na fixação biológica do nitrogênio e aumenta sua população em relação às estirpes existentes no solo. A inoculação pode ser feita tanto em áreas virgens quanto em áreas com cultivo anterior de soja.
Inoculação em áreas virgens
Em áreas de primeiro cultivo com soja, foram observados incrementos de até 20 sacas por hectare na produtividade em relação à produtividade obtida nas mesmas circunstâncias, sem inoculação.
Para favorecer a sobrevivência das bactérias do inoculante, deve-se dar preferência ao fornecimento de molibdênio e cobalto via foliar em estágio V4 (saiba mais sobre a fenologia da soja). A dose de inoculante utilizada em área virgem deve ser de duas a três vezes maior que a dose recomendada para áreas com cultivo anterior de soja. Nestas condições, a Fundação MS obteve bons resultados com o uso de duas a três doses de inoculante turfoso ou duas doses de inoculante turfoso acrescido de duas doses de inoculante líquido via sementes.
Áreas com cultivo anterior de soja
A partir da terceira safra, a área já pode ser considerada velha. Nessa área, a inoculação traz ganhos menos expressivos do que aqueles obtidos em áreas virgens. Nesse caso, quanto maior for o potencial produtivo da soja maior será o incremento. Geralmente, o aumento, quando ocorre, é de uma a três sacas por hectare. Mesmo sendo um aumento muitas vezes insignificante, a pesquisa da Fundação MS recomenda a reinoculação a cada ano, pois dessa forma evita-se o risco de perda de produtividade da soja, que varia de acordo com a qualidade das condições ambientais.