Nova cana: mais resistência, biomassa e sacarose

O projeto desenvolve as variedades por meio de tecnologia da engenharia genética

Margareth Santos
Melhoramento genético

Num futuro próximo, consumidores e produtores da cana-de-açúcar contarão com variedades transgênicas que irão oferecer mais sacarose, bagaço (biomassa), tolerância à seca e resistência às pragas. O “Projeto de desenvolvimento de novas cultivares de cana-de-açúcar”, elaborado pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em parceria com outras unidades da empresa e universidades federais, estuda novos genes para melhorar a produtividade da planta.

— O trabalho surgiu da necessidade de se encontrar novas tecnologias para atender ao setor produtivo do Nordeste. E, também, mais tarde compatibilizá-lo com as demandas do Sudeste — explica Eduardo Romano, um dos pesquisadores envolvidos.

Em seu terceiro ano de pesquisas, o projeto desenvolve cultivares por meio de tecnologia da engenharia genética, ou seja, sistema que cria variedades transgênicas. O processo é demorado, uma vez que é preciso isolar o gene que confere determinada característica, em seguida, validar suas propriedades, e por último, introduzi-lo diretamente na cana-de-açúcar.

"A pesquisa trará vantagens
para o produtor, a sociedade
e o meio ambiente"


 Eduardo Romano,
 Embrapa Recursos Genéticos

— Nós já isolamos os genes para menor vulnerabilidade à seca, aumento de biomassa, sacarose e tolerância às pragas. Eles já foram validados e nesse momento estão na fase de introdução na cana — afirma.

De acordo com Romano, a pesquisa trará vantagens para o produtor, a sociedade e o meio ambiente. O agricultor empregará menos água no desenvolvimento da cultura, reduzindo os custos. Áreas degradadas e com baixo índice pluviométrico poderão produzir a cana. Dessa forma, haverá um aumento da produtividade, mantendo-se a mesma área de cultivo e sem a necessidade de expansão.