Nova cultivar para o agronegócio do guaraná

Cultivar BRS-Cereçaporanga demonstrou alta resistência contra o fungo da guaranaicultura

Rosália Silva
Melhoramento genético

No ano passado, a cultivar de guaraná BRS-Cereçaporanga foi lançada em Manaus (AM). Ela atinge a produção de 1,30 quilogramas de sementes secas por planta ao ano, o que representa uma produtividade de 520 quilogramas por hectare de sementes secas, podendo atingir 812 quilogramas por hectare, ou seja, superior 160% e 306%, respectivamente, em relação à produtividade amazonense daquele ano.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2006, o Estado do Amazonas produziu 1.156 toneladas de guaraná, com uma produtividade de 200 quilogramas por hectare de semente seca. O resultado foi inferior ao da produtividade da Bahia, que somou 222 quilogramas por hectare e, atualmente, é o maior produtor brasileiro desta cultura.

Pelo trabalho da Embrapa Amazônica Ocidental, dos pesquisadores Firmino José do Nascimento Filho, André Luiz Atroch, José Clério Rezende Pereira e José Cristino Abreu de Araújo, entre as causas da baixa produtividade da cultura amazonense está a antracnose, resultado da ação do fungo Colletotrichum guaranicola.
 
E para combater este problema a Embrapa Amazônia Ocidental vem desenvolvendo novas cultivares que agregam alta produção e resistência estável às principais doenças. Em 1999, foram lançadas duas cultivares para o plantio comercial e, em 2000, outras dez.

Com a Cereçaporanga, espera-se fortalecer a guaranaicultura no Amazonas. Essa cultivar mostrou-se com resistência moderada e estável contra a antracnose. E também resistência completa contra a hipertrofia da gema floral e vegetativa.