As Regiões Sul e Sudeste do Brasil são grandes consumidoras de caqui e onde se localiza a maior produção nacional da fruta. Porém, por causa de condições climáticas, essas regiões só produzem caqui de fevereiro a julho, fazendo com que haja falta de caqui brasileiro no mercado durante o segundo semestre e abrindo caminho para a importação de caqui de outros países. Para abastecer essa demanda do mercado, o Vale do São Francisco está começando a produzir caqui durante o segundo semestre, dos meses de agosto a dezembro, e quer concorrer com as frutas importadas, oferecendo um produto nacional.
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As cultivares que mais se adaptaram à região do São Francisco foram a Rama Forte e a Guiombo, que também são as mais produzidas na Região Sul e Sudeste, mas se mostraram menos exigente ao frio do que outras variedades e, por isso, mostraram melhor êxito na produção. O cultivo do caqui no Vale São Francisco ainda é muito recente e até agora os pesquisadores só puderam avaliar o potencial da fruta. Não há resultados conclusivos sobre a produtividade do caqui na região pelo pequeno número de safras colhidas até agora, mas ano passado os caquizeiros do São Francisco deram entre 10 e 12 quilos de fruta por planta e a expectativa dos pesquisadores e que a próxima safra passe dos 20 quilos de caqui por planta.
— O nosso objetivo é apresentar aos produtores e técnicos da região os resultados do nosso trabalho para mostrar a eles que o caqui tem potencial. A partir deste ano, vamos instalar áreas representativas em plantações de produtores e unidades de observação, em que vamos fazer acompanhamentos em termos econômicos e agronômicos da cultura na região. Esse nosso trabalho é justamente para produzir caqui de agosto até dezembro. Estamos buscando uma janela para quando o mercado não tem caqui brasileiro, porque a partir do mês de outubro as frutas são importadas de Israel e da Espanha. Vamos produzir no Vale do São Francisco durante o segundo semestre para abastecer o mercado do Sul e Sudeste que são grandes consumidores de caqui — explica o pesquisador Paulo Roberto Coelho, da Embrapa Semiárido.
Uma vantagem do plantio do caquizeiro na região pode ser o aspecto fitossanitário. Até agora não foi registrada nenhuma doença e apenas um tipo de praga, que ainda está sendo analisada pelos pesquisadores. Mas, segundo Coelho, esta praga que surgiu no último ano é de fácil controle. Ele diz que a produção é feita com adubos químicos, mas que a quantidade de agrotóxicos utilizada é quase inexistente.