Nova variedade de arroz tem quase o dobro de ferro

Chorinho conta com mais teor de minerais que cultivares geneticamente modificadas e é forte candidata para doar características a materiais modernos

Juliana Royo e Kamila Pitomberia
Manejo

A cultivar biofortificada de arroz chamada Chorinho tem sido estudada pela Embrapa Arroz e Feijão devido ao seu alto teor zinco e ferro, que corresponde quase que o dobro do teor das variedades geneticamente modificadas.Segundo Péricles de Carvalho Ferreira Neves, pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, a cultivar Chorinho faz parte de um grande grupo de cultivares tradicionais de arroz que também estão sendo estudados por contarem com características mais favoráveis desses teores minerais no grão.

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— Estamos no meio de um estudo e a Chorinho tem se destacado por ter maiores teores desses minerais. Geralmente, as cultivares que estão no mercado e foram desenvolvidas através do melhoramento genético, apresentam um teor de ferro entre dois e três partes por milhão. Já a Chorinho tem apresentado, ao longo dos estudos, acima de quatro partes por milhão — afirma o pesquisador.
 
Neves diz que isso significa quase o dobro do teor de ferro que cultivares melhoradas para o mercado possuem. Mas, de acordo com ele, a grande diferença é que essa cultivar não passou por um processo de melhoramento. Ela é um material tradicional que já traz em si essas características.

— Em um primeiro momento, parece muito interessante, pois é uma cultivar que apresenta boas características agronômicas gerais e, no futuro, deverá ser doadora dessas características para outras modernas que já estamos desenvolvendo. É uma cultivar que já foi e tem sido cultivada em algumas propriedades familiares no Brasil e, entre esse tipo de cultivar, ainda é muito cultivada especialmente no Nordeste brasileiro — conta.
 
Em termos de ciclo, a Chorinho apresenta ciclo médio e produz com cerca de120 dias a partir do plantio. Já a produtividade, não é alta em comparação às cultivares modernasporque ela é uma cultivar tradicional que não foi desenvolvida para a alta produtividade.
 
O pesquisador acrescenta ainda que, apesar de se encontrar em fase de estudo, provavelmente a cultivar será recomendada para regiões de agricultura familiar, em especialmente no Nordeste do Brasil. Ele garante que, em 2012, a Embrapa terá resultados definitivos sobre essa variedade.
 
Para mais informações, basta entrar em contato com a Embrapa Arroz e Feijão através do número (62) 3533-2110.