A utilização de capins tropicais ensilados pode substituir o uso de milho e sorgo nas rações de ruminantes. Isso é o que mostra a pesquisa do professor Antônio Ricardo Evangelista, da Universidade Federal de Lavras (UFLA). O objetivo é oferecer alternativas de utilização de forrageiras para os períodos de seca, quando os produtores rurais encontram dificuldades em manter o nível de pastagens para os animais.
Antônio Evangelista explica que os experimentos foram feitos em silos de pequeno porte. Já a potencialidade quanto ao aproveitamento das silagens de capins tropicais são testadas em laboratório com técnica in vitro. Em seguida, os melhores tratamentos analisados são levados a campo, para a avaliação direta do consumo, da digestibilidade e do desempenho nos animais.
— Às vezes, temos resultados muito bons em laboratório, mas, se o animal não consumir o produto, não adianta. Então, temos que fechar as etapas do trabalho envolvendo a fase de utilização dos materiais que a gente desenvolve, que a gente propõe para a alimentação animal — comenta o pesquisador.
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Produtores têm dificuldade em manter as pastagens durante os períodos de pouca chuva |
Entre os resultados da pesquisa, o professor da UFLA destaca que os capins tropicais são forrageiras de maior dificuldade de conservação. No entanto, com o uso de aditivos microbiológicos sequestradores de umidade é possível conseguir silagens de valores nutritivos superiores em 30% e 50% em comparação à produção de grãos. Além disso, o cultivo das forrageiras tropicais proporciona a liberação da área para a safrinha ou formação de pastagem e menor dependência das condições climáticas. Para completar, a pesquisa ainda mostra que a silagem de capins tropicais é mais barata que em relação à fenação.
— Às vezes, o produtor perde a oportunidade de ensilar um capim elefante, um tanzânia, uma Brachiaria brizantha, que estão disponíveis na propriedade mas que não se pode deixar para uso só em períodos de seca — aponta. Os capins tropicais, portanto, são uma opção a mais para os meses de maio a setembro, que afetam grande parte das pastagens no Brasil.
