Novas cultivares de amendoim dobram o período de prateleira do produto

Alto teor de ácido oleico aumenta a qualidade do grão e faz ele durar mais de um ano sem se deteriorar

Juliana Royo
Melhoramento genético

O IAC (Instituto Agronômico de Campinas) apresenta hoje, no Dia de Campo de Amendoim, em Pindorama (SP), duas novas cultivares que prometem mexer com o mercado. A IAC 503 e a IAC 505, que estarão no mercado a partir de 2011, são do tipo rasteiro, que facilita a colheita mecânica e tem potencial produtivo maior. O diferencial é que elas têm alto teor de ácido oleico.

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—  Ele proporciona o que nós chamamos de vida de prateleira maior. O produto dura mais sem perder as qualidades. Um amendoim normal leva seis meses para se deteriorar, com o alto teor de ácido oleico o período se estende para mais de um ano. Isto tem um impacto tremendo para a indústria e beneficia economicamente o produtor, que oferece um produto de maior qualidade — explica Ignácio Godoy, coordenador do Programa de Melhoramento do Amendoim do IAC.

O mercado interno consome hoje de 100 mil a 120 mil toneladas de grãos por ano e a tendência é de crescimento, segundo Godoy. Ele diz que, sobretudo no mercado externo, as expectativas são boas. O Brasil ganhou espaço internacional, exporta bastante para a comunidade asiática e europeia chegando a 50 mil toneladas por ano de grãos elaborados exportados.

— Outro mercado que se beneficia em paralelo é o de óleo e o amendoim. Trata-se de uma oleaginosa eficiente em termos de conversão de óleo por área plantada. Cada semente produz entre 45% a 50% de óleo com boas qualidades culinárias. Um nicho de mercado muito bom é o da indústria de óleo comestível e confeiteiro. Está previsto um crescimento da demanda por amendoim deste setor — anuncia.

O programa de melhoramento de amendoim do IAC é financiado por 11 empresas de diversos setores que já estão testando as novas cultivares. Godoy estima que, em 2011, toda a cadeia de produção já deve estar completamente abastecida e qualquer produtor poderá comprar as sementes.

"Cada semente
 produz de 45% a
 50% de óleo com
 boas qualidades
 culinárias"


 Ignácio Godoy,
 do IAC