Uma das principais características das cultivares BRS 254 e BRS 264, apresentadas no Dia de Campo sobre Trigo Irrigado, realizado pelas Embrapas Cerrados e Trigo, na Fazenda Agropecuária Veredas dos Buritis, no município de Cristalina (GO), é a ampla capacidade de adaptação ao clima do Cerrado.
— O objetivo é desenvolver cultivares cada vez mais produtivas para a região Cerrado do Brasil Central, tanto para o trigo irrigado quanto para trigo de sequeiro (os dois sistemas de produção da região). A intenção é alcançar uma produtividade de lavoura em torno de 7 a 8,5 toneladas por hectare, ter lavouras com custo de produção menor e que utilize menos defensivos agrícolas, além de produzir cultivares mais resistentes e mais tolerantes às principais doenças que ocorrem na região, principalmente a brusone — afirma o pesquisador responsável, Júlio César Albrecht.
É interesse do projeto gerar cultivares de porte mais baixo, com a palhada cada vez mais forte, para que o produtor possa utilizar toda a tecnologia disponível, inclusive com adubação nitrogenada maior, a fim de se obter altas produtividades. Os experimentos são realizados por meio da seleção dos pares genótipos, dentro da coleção de cultivares oriundas de diversos lugares, avaliação e cruzamentos. A partir daí, são produzidas com as ferramentas tecnológicas que permitem o seu lançamento em quatro ou cinco anos.
— As variedades BRS 254 e BRS 264 já conseguiram produzir em lavoura 7,5 toneladas por hectare, enquanto a produtividade média nacional do trigo está em torno de 2,5 toneladas por hectare. A cultivar BRS 264 é mais precoce, estando pronta para colheita em torno de 105 a 108 dias, e tem maior potencial produtivo. O agricultor economiza mais, em função dos gastos menores com irrigação e energia. A BRS 254 já produziu sete toneladas por hectare e é classificada como trigo melhorador. Tem liquidez no mercado e aceitação nos moinhos de produção de farinhas para panificação. Essas duas cultivares têm excelente qualidade industrial e atendem às demandas das indústrias brasileiras — destaca Albrecht.